Processamento de Sinal - Pedaleiras, Pedais, etc (Tópico oficial)

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metalguy
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Re: Processamento de Sinal - Pedaleiras, Pedais, etc (Tópico oficial)

Mensagempor metalguy » quarta mar 19, 2014 9:19 pm

defunctum Escreveu:Para delay, reverb e chorus, tens o Zoom ms70-cdr, as reviews são excelentes. No inicio do mês vem para cá um.
Quanto ao resto ia para pedais individuais, mas depende muito do tipo de som que queres


Boas,
Estive a ver esse pedal e não me agrada o facto de ter apenas um botão para mudar de efeitos e o facto de ter de definir muito bem o esquema de efeitos (pôr um, tirar, pôr outro, etc...)

Talvez vá para pedais individuais mesmo, mas vou continuar aberto a outras opções. O TC G major + algo que me permita ligar os efeitos certos no loop e outros à frente do amp também me agrada bastante...

A nível de som, visto a minha banda ter traços de prog, procuro um bom delay e reverb para cleans, bem como compressor e modulação. Gostava de também ter um maior controlo sobre o EQ do meu canal de distorção (toco um estilo de metal melódico). Efeitos como o flanger também me interessam. A nível de pedal de expressão wah não é prioridade, embora tenha curiosidade de experimentar um cry baby para algumas coisas, mas gosto muito do controlo de um volume pedal.

Penso que é isto. Mais sugestões?
(Estava à espera de um comentário do Shore)
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INGVARR
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Re: Processamento de Sinal - Pedaleiras, Pedais, etc (Tópico oficial)

Mensagempor INGVARR » quarta jan 13, 2021 6:59 pm

Antes de qualquer coisa, meus sinceros agradecimentos ao Iang por me atender quanto à solicitação para postar neste tópico, e ao Gonçalo, que me orientou diversas vezes. Quando vi este tópico eu fiquei numas de "preciso falar das minhas coisas!", mas infelizmente estava bloqueado de início.

Very well...

Eu sou baixista. Estou envolvido com bandas há 20, 21 anos. Mas foi somente de uns cinco anos para cá que eu passei a me interessar seriamente por pedais de efeito e timbres. Diria que tudo começou quando passei a prestar a atenção no baixo do Billy Sheehan e seu timbre peculiar. Foi neste vídeo que segue que esta coisa de distorção me pegou (e me escravizou como um vício):



Sheehan apresenta seu pedal signature, da EBS, e a capacidade do mesmo em proporcionar distorção no contrabaixo sem desvirtuar o timbre do instrumento. À época que assisti a este vídeo eu havia recém adquirido um Yamaha BB714BS, que é um baixo desenhado pelo próprio Billy em conjunto com o pessoal da Yamaha, e tinha somente dois pedais (CEB-3 Bass Chorus e ODB-3 Bass Overdrive, ambos da BOSS) e não consegui fazer nada do ensinado por Sheehan.

Em relação aos instrumentos que possuo, são três contrabaixos: o já mencionado Yamaha, que é meu baixo principal, e conta com um captador single coil e um humbucker no braço. Como disse, foi projetado pelo Billy Sheehan em conjunto com a Yamaha. Captação passiva e uma chave seletora no knob de tonalidade, que permite que você tenha um som mais abafado e grave, remetendo a alguns sons dos anos 1960 (The Beatles, Yardbirds, Jefferson Airplane, Cream, etc) Segue a imagem:

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Também possuo um Squier Precision Bass da Fender, que é extremamente confortável de se tocar e tem um som interessante (não soa como um Fender de primeira linha, mas o som é decente). Fiz blindagem com cobre neste baixo, assim não tenho um chiado sequer! Eis o garoto:

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E por último, um ESP Ltd-B10, que tem uma captação modesta, mas tem um design bonito e também é extremamente fácil de tocar. Para extrair algo deste contrabaixo você precisa de um preamp ou um bom amplificador com reforço de graves e presença:

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CORDAS: Rotosound RS66LD Swing Bass. Calibre (G) 45 (D) 65 (A) 80 (E) 105. São as melhores cordas do mundo. Como alternativa, indicaria Ernie Ball Hybrid Slinky. O ESP está equipado com cordas DR Black Beauties - basicamente são cordas de baixo "pintadas" com uma espécie de polímero preto. Não gostei do timbre. Havia colocado originalmente no Yamaha, mas passei para o baixo que está no banco de reservas.

Minha técnica da mão direita são os meus dedos. Ponto. Sou ruim com palhetas, mas dependendo da linha eu me viro relativamente bem. Outro detalhe: eu sou canhoto, mas me forcei a aprender com a mão direita para não ter que ter “baixos especialmente para canhotos”. O desejo de tocar contrabaixo veio de um nome: Steve Harris. Citaria como outras influências Geezer Butler, Billy Sheehan, John Paul Jones, Glenn Hughes, Rex Brown, Roger Glover, Jason Newsted, Geddy Lee, Lemmy Kilmister, Justin Chancellor, Billy Gould, entre outros - apesar de existirem nomes extremamente virtuosos e técnicos nesta lista, eu não sou muito chegado a firulas. O primeiro ponto com a música, e o mais importante de todos, é garantir que você se divirta fazendo isto. Não precisa ser uma coisa para você se ferrar e ter tendinite. Se as firulas técnicas e teóricas superam a música pela música, o prazer que tocar música lhe proporciona, há algo errado. Ache um meio termo entre o aprimoramento/evolução e a diversão. Este é o ponto em que você deve(ria) orbitar.

Existe certa estranheza quando você diz que é baixista e tem uma coleção de pedais - porque isso é coisa de guitarrista, correto? Errado.

Praticamente a maioria dos baixistas de grandes bandas usam algum tipo de efeito. Foge a essa regra o meu baixista favorito, Steve Harris, que usa somente um compressor da mesa de som (ou coisa parecida, mas certamente nada de pedais, uma vez que o mesmo declarou que pelo fato de viver correndo pelo palco seria-lhe inconveniente usar pedais).

No YouTube você consegue encontrar várias linhas de baixo isoladas e lá estão efeitos de distorção, chorus, etc. Como exemplos, cito Cliff Burton, do Metallica, famoso pelo uso do Tube Screamer da Ibanez, e Nick Oliveri, ex Queens of the Stone Age, usando provavelmente um Bass Fuzz da Boss. Seguem, respectivamente:





Além, vocês conseguem encontrar linhas isoladas de caras como Rex Brown, Geddy Lee, Krist Novoselic, Jason Newsted, etc. O website Equipboard também traz em detalhes os equipamentos que músicos profissionais usam: https://equipboard.com/

Muito bem, sem mais delongas, começo mostrando meu arsenal atual:
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No começo da cadeia de sinal vocês verificam um Digitech Drop, uma maravilha do gênio humano que lhe poupa de ficar afinando o instrumento 7.821 vezes num ensaio ou num show. Seguindo, um compressor da Boss LMB-3, o lendário Big Muff Pi da Electro-Harmonix, específico para contrabaixo, um Boss CEB-3, que se trata de um pedal de chorus e por final um BB-1X, da Boss novamente, que uso como preamp.

Esta configuração é bastante minimalista e eu já cheguei a ter quase o dobro de pedais em meu pedalboard. As outras criaturinhas mágicas estão devidamente guardadas:
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Vou comentar cada um destes pedais que uso ou usei, dividindo o texto de acordo com a espécie de pedais.

DISTORÇÃO/OVERDRIVE/FUZZ

Electro-Harmonix Bass Big Muff Pi:

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O melhor pedal de distorção (ou fuzz, ou overdrive, porque ele faz todas essas coisas) que já tive é o Bass Big Muff Pi da Electro-Harmonix. A versatilidade deste penal impressiona, e ao contrário de outros pedais que distorcem o sinal este não é barulhento e não me bombardeia de microfonia ou aquela coisa supersensível que acaba se tornando incômoda e um obstáculo na clareza de seu som. Ele possui uma chave seletora com três modos: Normal, que é o som do pedal sem qualquer extra; Dry (em outras marcas esta função é conhecida como "Blend"), que mistura o som distorcido ao seu som cru, não processado, de forma que você tem o devido punch sem perder a identidade do instrumento. E é exatamente disto que Billy Sheehan fala no vídeo alhures colacionado. Você não pode ficar no caminho da guitarra ou formando uma parede de som distorcido, de forma que não se identifique coisa alguma. O baixo tem de segurar os graves e uma eventual distorção ou overdrive não podem lhe tirar essa função - ou o som fica uma miséria. E por último, há uma função chamada Bass Boost, que evidencia ainda mais as frequências graves do som. É um pedal extraordinário. Imagino que na Europa não deva custar tão caro. Mas eu vivo no Brasil, e o Brasil não é um lugar normal, então você não compra este pedal novo por menos de 800 reais (preço médio no Mercado Livre), mas vale cada centavo. Meu vídeo mais recente os fará ter certa ideia:



Observem que nas notas mais agudas há uma sutil distorção, mas não é aquela coisa que estoura os tímpanos do ouvinte logo no primeiro acorde. Eu procurei configurá-lo para esta música de forma a me aproximar ao máximo dos baixos e dos amplificadores valvulados dos anos 1970, que proporcionavam uma distorção natural no som. É o timbre ideal, para mim. Vocês escutam esse tipo de som de contrabaixo nos álbuns do Sabbath, Zeppelin, Grand Funk Railroad, Fleetwood Mac, etc. Não gosto do timbre que escutamos na maioria das bandas de metal atual. Na verdade, em termos de timbre, não consigo pensar em algo pós 2000 no meio do Metal que tenha um baixo que seja um destaque - mas talvez eu não conheça coisas o suficiente.

Boss ODB-3 Bass Overdrive:

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90% dos baixistas amadores (no sentido inverso de profissional), especialmente nos Estados Unidos, odeia este pedal. Sim, eles o odeiam com todas as forças! Todavia, grandes baixistas como Flea, Alex Webster, Adam Clayton, Jean Michel Labadie têm esse pedal em seus sets - enquanto o baixista Júnior coberto por farelos de Cheetos faz reviews reclamando de barulhos, reclamando do timbre, reclamando disto e daquilo. É verdade que este pedal é barulhento e se você saturá-lo vai ter um som de abelhas enlouquecidas nos seus ouvidos. No entanto, a versatilidade deste pedal é um grande pró. Você consegue overdrives bem naturais até distorções extremamente pesadas. Na verdade, este pedal não deveria trazer o termo "overdrive" em seu nome, porque eu o vejo muito mais como um pedal de distorção mesmo. Sempre carreguei este pedal comigo e quando alguma invenção maluca minha não dava certo eu o tirava da bolsa e colocava pra funcionar. Me salvou diversas vezes.

Aqui está um cover de "Sad But True" onde usei este pedal: NOTA: "Sad But True" tem a afinação um tom abaixo (D) do standard (E), e o pedal responde muito bem às afinações mais baixas.



TC Electronic Mojo Mojo:

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É um pedal de overdrive basicamente desenhado para guitarra, sendo seu mais notável usuário Paul Gilbert (Mr. Big). Infelizmente, não é um pedal totalmente versátil, uma vez que você precisa ficar mexendo nas configurações o tempo todo para adequar ao que você pretende retirar dali. Michael Shuman, atual baixista do Queens of the Stone Age utiliza este pedal. Um destaque é que sempre respondeu bem em afinações mais baixas, não tornando o som embolado, como acontece com alguns pedais de distorção. Eu logrei êxito em extrair dele um timbre ótimo para tocar "Ace of Spades", do Motörhead. Confiram:



Acho que se tentar recriar este timbre agora eu não me lembro de como fiz. Anyway... Utilizei muito este pedal, inclusive numa banda cover do Rammstein na qual eu estive e fui muito feliz em tocar aquelas músicas distorcidas quase sempre em afinações mais baixas. Infelizmente, nunca ninguém me mandou os vídeos daquela banda. Ah! Este pedal tem um irmão gêmeo um pouquinho mais evoluído, chamado Dark Matter, utilizado pelo Roger Glover do Purple.

Ibanez Bass Tube Screamer (TS9):

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Uma das maiores decepções com pedais que já tive em minha vida. Não tem nada a ver com o clássico Tube Screamer que Cliff Burton usava (o dele era um pedal de guitarra, e este foi desenvolvido especificamente para contrabaixo). Em apertada síntese, você não consegue tirar muita coisa deste pedal. Se você vai em direção ao máximo que ele oferece você tem um som imprestável e embolado (parecendo um peido engarrafado) e se você o usa nas configurações mínimas não faz a menor diferença. Gravei um cover do Grand Funk Railroad utilizando este pedal, e foi a única coisa positiva que consegui com este pedal, mesmo tentando as mais diferentes configurações e posições em minha cadeia de sinal. Confiram:



EBS Metal Drive:

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Se você é baixista e lhe ocorrer um dia "quero um timbre de peidos engarrafados para meu baixo", este é o seu pedal. Paguei caro há uns 2/3 anos nesta coisa e o melhor que ele pode oferecer é um som de amplificador estragado. Todavia, em configurações modestas e com a ajuda de um equalizador você consegue tirar alguma coisa bem sutil. Versatilidade 0. Possui três modos de distorção/overdrive (normal, flat e tubesim) e as três são igualmente um desastre. No vídeo que segue eu tentei me aproximar do timbre de Billy Sheehan, utilizando junto deste pedal um Chorus. Observem:



Agora chequem o timbre do Billy Sheehan:


Bom, eu tentei! :lol:

Boss DS1:

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Pedal de distorção clássico da Boss, usado por Satriani, Cobain, etc. Não é um pedal para baixo, mas alguns baixistas de renome o utilizam, a exemplo de Peter Steele e Al Cisneros. Certamente esses caras fizeram alguma modificação no pedal para utilizá-lo como "tone core", uma vez que você perde totalmente seus graves. É desastroso utilizar somente este pedal - sem um preamp ou alguma ferramenta eficaz de equalização. Eu tive êxito em gravar covers do Type O Negative e Killing Joke utilizando-o ligado a um preamp. O resultado:





Boss BB-1X Bass Driver:

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Este é outro grande pedal que adquiri e tem uma grande utilidade, uma vez que você pode utilizá-lo como preamp (ele vem com uma saída balanceada extra para ir direto à mesa.). O overdrive é bastante agradável e possui uma considerável extensão - você pode ir do overdrive bem discreto à distorção pesada. Outra grande sacada deste pedal é o seu equalizador. São apenas dois knobs (um graves e outro agudos), mas são incrivelmente eficientes. É nítida a diferença que ele dá ao som em termos de brilho e ganho. Certamente uma das melhores aquisições que já fiz em termos de pedais. Eis qui uma demonstração do som deste diabinho:



Se você quer um punch à Rex Brown, com a ajuda de um Chorus, este pedal lhe dá isto:



Behringer V-Tone BDI-21 Bass Preamp:

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Preamp barato (215 reais há um ano) e com uma utilidade bem legal. Não é nenhum SansAmp ou Hartke ou Ampeg, mas se você não for um milionário no Brasil é uma opção. Há muito tempo não integra meu pedalboard, mas o usava para "colorir" o som e "revitalizar" o som de cordas eventualmente velhas (através do controle de "presence", dando mais brilho ao som). Vez ou outra faço alguma brincadeira utilizando só ele. Tem uma opção de drive bastante limitada, e mesmo assim supera o drive de alguns pedais caríssimos, como o TS9 da Ibanez e o Metal Drive da EBS. Observem na imagem alhuers as funções deste pedal. Coisa bem legal, a julgar pelo preço que paguei.

Havia um vídeo de "Back In Black" em meu canal, mas fui procurar e simplesmente sumiu. Felizmente ainda o tenho no Instagram: https://www.instagram.com/tv/CDR6QCRHt8X/?hl=pt-br

MODULADORES

Boss CEB-3 Bass Chorus:

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Simples e direto ao ponto. Um dos primeiros pedais que comprei na vida. Nos meus vídeos supra vocês podem verificar o efeito deste pedal (em "Black Night" e "By Demons Be Driven").

Aqui segue um review que explora bem este pedal:



Nux Mod Core Deluxe Modulation Effects:

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Outro pedal barato e extremamente útil. É um pedal "multi-efeitos". Isto é: ele lhe oferece Chorus, Phaser, Flanger, Tremolo, entre outros efeitos. Claro que sua qualidade não supera a de um pedal específico para Flanger, por exemplo. Mas é uma opção barata e interessante.

TC Electronic Echobrain

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Trata-se de um Delay analógico. Comprei este pedal num surto obsessivo de gravar "One of These Days", do Pink Floyd. Eu aproveitei a oportunidade e fiz uma coisa tipicamente Floyd: fiz uma colagem de sons e coloquei uma poesia de minha autoria na introdução da música e ao decorrer da mesma. Na colagem referida há sons de propaganda soviética da Tsar Bomba, pedaços minúsculos de canções, uma gargalhada da minha mãe ( :lol: ), som de uma estrela pulsar, um diálogo entre Brad Pit e Kevin Spacey, em "Seven", entre outras maluquices. Foi difícil gravar. Há alguns erros de execução (sim, uma música de duas notas pode ser bem complicada!) e de edição, que fiz tudo num Iphone 6S. Utilizei o tremolo do Nux Mod Core num trecho desta música. Check it out:



Digitech Drop Pedal:

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Uma das maquininhas mais úteis de meu arsenal. Ele baixa seu tom em até 7 semitons. Contudo, abaixo de quatro semitons (ou dois tons) a qualidade do som vai indo para o ralo. Em bandas em que a afinação mudava de música para música eu só precisava girar um botão, enquanto o(s) guitarrista(s) começavam a afinar sua(s) guitarra(s) ou simplesmente plugavam outra guitarra já afinada no tom desejado. Um contrabaixo afinado em C, por exemplo, é uma completa desgraça, porque as cordas ficam absolutamente soltas e não há nenhum sustain. Na verdade, eu não sou fã de afinações baixas, e existem bandas como o Mastodon, por exemplo, que tem a afinação uma quinta abaixo no contrabaixo. Legal de ouvir? Claro. Legal para tocar? Não para mim. Claro que o Mr. Troy Sanders deve ter um bom técnico de baixo para ficar regulando altura das cordas, tensor, ponte, etc. Eu realmente não tenho saco para ficar o tempo todo modificando a configuração do meu baixo, até porque isso pode lhe gerar alguns efeitos colaterais indesejáveis.

Aqui segue um cover do Kyuss, cuja afinação é em C (dó). Verifiquem a efetividade do Drop Pedal (e a inutilidade do TS9 da Ibanez, já mencionado, que utilizei neste cover):



COMPRESSOR:

Boss LMB-3 Bass Limiter/Enhancer:

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Não há muito o que dizer sobre o pedal em si. Cumpre seu papel de forma bastante satisfatória. Eu tenho um amigo (que é um guitarrista exímio) que acha que o uso de compressores são uma "apelação" quando você não consegue moderar na mão as frequências de seu instrumento. De qualquer forma, é uma ferramenta útil para você não ter frequências necessárias inaudíveis e frequências inúteis incomodando sua performance. Aqui vai um review deste pedal:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=HRvq9_xpQyE&t=173s[/youtube]

Creio que o utilizei em todos os covers que gravei e postei no meu canal no Youtube. Esteve sempre lá.

EQUALIZADOR E NOISE REDUCER

Behringer BEQ-700 Bass Graphic Equalizer

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Útil quando você vai utilizar amplificadores de outrem e não tem muito tempo para ficar mexendo na equalização. Com este pedal você rapidamente faz o seu som, elevando e baixando as frequências que bem entender. Não o uso há um tempo, uma vez que recentemente tenho equalizado meu instrumento no meu próprio amplificador ou nos pedais que estão em meu pedalboard. Então chegou um momento em que eu quis retirar algo de meu set e este foi-se embora.

Behringer NR-300 Noise Reducer

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Bastante útil em ensaios e apresentações. Mas, sinceramente, não vejo lá muito uso para este pedal, uma vez que o cuidado em não ter barulhos infernais saindo de seu sinal é uma lição de casa que tem de ser feita antes de você plugar seu instrumento ou seus pedais e sair por aí fazendo som. Se lhe é impossível anular zunidos provenientes de outros pedais ou de aterramento elétrico deficiente, então aí está uma boa sacada. Há mais de um ano não o tiro da caixa.

UMA CONSIDERAÇÃO RELEVANTE SOBRE OS PEDAIS DA BEHRINGER: São extremamente baratos e funcionais, todavia, são feitos de plástico. Todos os outros pedais que eu citei neste texto são feitos de metal. Os da Behringer são de plástico mesmo. Isso significa que não possuem resistência alguma, especialmente quando estamos falando de uma coisa que fica no chão e é feita para ser literalmente falando pisoteada o tempo todo. O meu equalizador se arruinou de uma forma que eu só consigo ligá-lo pisando no canto inferior esquerdo do pedal. Não faço ideia do que quebrou. Então, este é um problema da Behringer. Ademais, reparem como o desenho deles são quase idênticos aos pedais da Boss. Se a grana no bolso não é o suficiente para comprar algo da Boss, tente um da Behringer, mas você precisa tratá-lo com muita gentileza, senão quebra. Os meus pedais da Boss já caíram, rolaram e tomaram banho de cerveja e estão em perfeitas condições, porque são verdadeiros tijolos de metal. O Big Muff da Electro-Harmonix também é um tanque de guerra. Metal puro.

FINALMENTE:

Cavalheiros, espero ter contribuído de alguma forma sobre o assunto em questão, agradecendo desde já sua paciência e o espaço para discorrer a respeito de um tema que gosto tanto.

O negócio com "timbre", seja de contrabaixo ou guitarra é o seguinte: você nunca vai conseguir ter o timbre de outro músico. Você pode usar os mesmos pedais, o mesmo instrumento, o mesmo amplificador, as mesmas cordas, os mesmos captadores e ainda assim você precisaria ter a mão do músico. Porque é exatamente na mão que tudo começa. Você pode ir em uma direção ou outra, tentar soar mais ou menos de forma A ou B ou como um músico ou outro. Mas igual é impossível. E esta é a parte legal, porque é aí que você desenvolve sua própria identidade, seu próprio timbre. Se você ouvir o comentado Billy Sheehan falando sobre distorções ele mencionará Jack Bruce como uma de suas influências sobre som distorcido. Mas Jack Bruce é Jack Bruce, e nem Billy Sheehan consegue soar como Jack Bruce. A coisa mais legal que existe é ouvir um instrumento e identificar de prima quem é o músico. Por exemplo, um baixo galopante, estalado, brilhante e com as cordas batendo nos trastes do instrumento certamente é Steve Harris. Algo grave, cheio de groove e distorção é Rex Brown!

A respeito da distorção (overdrives/fuzz, etc) o segredo é você estar fazendo seu trabalho (se for um baixista, claro) atrás das guitarras. Você não pode soar distorcido de forma que passa a competir com a guitarra. Cliff Burton usa distorções em todas as músicas dos três primeiros discos do Metallica, e você só consegue perceber que há uma distorção ali quando seu baixo se faz evidente por força da própria música. Em outras palavras: se faz evidente e você identifica a distorção quando o restante da banda está em segundo plano e o baixo está em evidência, do contrário você precisa estar previamente informado sobre o uso da distorção e ter os ouvidos afiados para identificar. Senão... Distorção no baixo? Onde?

O Queens of the Stone Age tem distorção no baixo na maior parte de suas músicas. E é aquela coisa grave, ultra low, dois tons abaixo, mas de forma genial, mesmo que a distorção seja bastante acentuada, a banda consegue conciliar o som das guitarras (também super distorcidas) com um cavalo de quatro cordas fazendo aquele som extremamente "muddy". Aí é competência dos engenheiros de som e dos músicos.

Aberto a questionamentos e novamente agradeço pelo espaço.
Forte abraço a todos!


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