
Elementos:
Carmelo Orlando - Guitarra, Voz, Teclados
Massimiliano Pagliuso - Guitarra
Valerio Di Lella - Baixo
Giuseppe Orlando - Bateria
Discografia:
Wish I Could Dream it Again, 1994
Arte Novecento, 1996
Classica, 1999
Novembrine Waltz, 2001
Dreams d'Azur, 2002
Materia, 2006
The Blue, 2007
Já era tempo desta banda ganhar, também, o seu cantinho no MU.
No meio deste mundo global, onde nem a música escapa,poucos são os nomes que sentem a necessidade de "fugir",
quais pássaros em busca da liberdade artística, de um mercado já saturado de bandas que não fazem mais senão copiar-se mutuamente
esquecendo ou não tendo o lado criativo para dar o seu toque pessoal.
Ainda mais raras são aquelas que além de nos darem o prazer de passear na sua "terra do nunca" ainda conseguem enquadrar,
representar e tentar transmitir um pouco da história e cultura do seu país.
Pois bem, pairando entre o universo doom e death encontra-se um desses exemplos, que vou tentar dar a conhecer um pouco para quem não conhece.
Formados em Roma no início da década de 90, Novembre é o fruto da beleza e variedade paisagística italiana. Imagem da paixão latina.
Tal como um bom vinho sardenho o seu som consome-nos imediatamente e com o avançar dos álbuns, devido ao estado de embriaguez,
aquela conversa da cultura começa a fazer todo o sentido.
Estruturalmente as canções são bastante complexas o que transparece nos diversos níveis de sentimentos.Se quiserem exemplos os que mais perto se encontram sejam talvez uns Opeth ou uns Katatonia na sua fase inicial. Pronto, o Diabox já não lê mais.
Cada música arde de riffs tocantes,melancólicos e apaixonantes, fazendo lembrar a essência das obras de Verdi ou Puccini, que rapidamente podem perder-se na fúria e insanidade de Nero, o que acaba por se desenvolver numa atmosfera sonora única.
De destacar o ecléctico cantor, a alternância entre o cantar límpido, harmonioso e emotivo, quer em inglês mas sobretudo em italiano,
cujo sentimento e fonia é digno de um soneto, adoro.
Esta característica quanto a mim só enriquece e joga a favor da banda e sinceramente há partes que se não fossem cantadas em italiano
perderiam o brilho e intensidade.
Finalmente e como deixa-se sempre o melhor para o fim:a bateria, para apreciadores deste instrumento não sairão desiludidos,
o seu talento e versatilidade são mais que evidentes, as composições da linha de bateria desafiam a criatividade, tais os pormenores.
Autênticos manuais de como tocar bateria.
Tudo isto conjugado faz de Novembre mais um dos muitos patrimónios artísticos italianos e mundiais, uma verdadeira ode ao romantismo.
Espero que este textinho não desmotive o vosso encontro com a banda.

