
Um dos meus vícios mais recentes é verificar com regularidade as "newest additions" do Metal Archives, que geralmente costuma ter bandas de qualidade recentes e que praticamente ninguém conhece. Hoje dei uma espreita na tal secção do MA e deparei-me com este nome Pensées Nocturnes. No estilo dizia Black Metal/Ambient e por isso cometi o erro de julgar que se tratava de mais uma de milhões de "one-man-BM-bands" com produção de "bedroom", com riffs simplistas, bateria computadorizada tipo metrónomo e paragens repentinas sem sentido de estrutura para tocar umas notas acústicas fáceis. De qualquer modo o nome da editora chamou-me a atenção porque imediatamente por algum motivo me fez lembrar o espectacular projecto também francês "De Silence et d'Ombre", portanto decidi dar uma audição no MySpace.

Quando ouvi a faixa de abertura fiquei logo agarrado, graças à subtileza com que as transições acústicas/pesadas se sucedem e sendo eu um grande fã de música clássica, ainda mais impressionado fiquei com a utilização de variadíssimos instrumentos como cravo, violino, xilofone, violoncelo, flauta entre outros instrumentos de sopro e claro, sem faltar o melhor instrumento do Mundo, piano. Já não ouvia tanta variedade de instrumentos desde o Gangrene de Mirrothrone. Por entre devaneios clássicos, há espaço para secções calmas mas com instrumentos mais vulgares, tendo essas alturas como personagem principal as guitarras acústicas ou mesmo com distorção à mistura, em tons arrastados e doomish. As partes de black metal são caracterizadas por lancinantes gritos de terror e agonia bem ao estilo do DSBM, que em verdade se diga que não trazem nada de inovador ao género, mas a nível instrumental fui remetido várias vezes para Austere e nalgumas partes para Drudkh (ou será Hate Forest?), com melodias de guitarra em num tremolo nervoso que transpirava melancolia por todos os poros. A nível de baixo e bateria está tudo dentro dos parâmetros habituais, tendo o baixo sido captado com bastante sucesso, sendo evidente a sua contribuição para a sonoridade a um nível geral e mesmo a bateria tem vários ritmos para além das blast beats da praxe, com espaço para alguns fills interessantes de modo a tornar a experiência mais orgânica e humana e obviamente menos monótona.

Aconselho-vos a darem uma oportunidade a Pensées Nocturnes, caso apreciem a vertente mais depressiva do black metal, mas se procuram variação e originalidade, com a ajuda de instrumentos pouco comuns dentro do género. Podem começar com a Lune Malade:
http://www.myspace.com/penseesnocturnes