Boa, parece que isto está lançado para dar uma boa discussão.
Eu cá não sou nada contra misturar estilos. Acho que a questão aqui prende-se não com o facto do BM ser um estilo alérgico a misturas, até porque não é, como se pode ver bem o que não falta por aí são híbridos black/doom, black/punk, black/death, black/thrash, etc. É mais pela mencionada mistura proporcionar ou não, uma sonoridade "agradável" ao ouvido.
Brunhu, falaste em inovação e eu consigo perceber que de facto os Peste Noire puxaram um pouco as
boundaries do género com esta amálgama dos mais variadíssimos estilos. Acho que palavras como "inesperado", "inexpectável" ou "imprevisto" podem ser utilizadas em vários momentos do álbum, mas como é óbvio, "diferente" ou "inesperado" não implica que seja necessariamente bom, mas aqui a discussão começa a cair no campo do gosto pessoal. No meu caso específico, em quase nenhuma altura estes momentos "diferentes" foram agradáveis de se ouvir, pelo menos para mim.
Acho sinceramente que vais gostar pelo menos do álbum anterior, embora te aconselhasse a dar uma vista de olhos nos dois primeiros álbuns, apesar de me dar a impressão que não és o mais acérrimo fã de black metal, mas clássicos de qualidade inegável acho que apelam a qualquer um.
Vaargseth, até consigo compreender o conceito de que falas do álbum (até porque tendo a banda uma primeira demo com aquele nome, não é muito difícil de entender) e se calhar até é um conceito bem explorado e com ideias interessantes (embora eu provavelmente nunca o vá entender, dado que a minha compreensão do francês actualmente é bem fraca). Um álbum com uma forte componente conceptual é sempre um plus, mas para mim o único defeito é o facto da sonoridade não me agradar de todo e contra isso infelizmente não há nada a fazer. É verdade que à partida se percebe logo que isto é Peste Noire, mas isso se calhar também deve-se mais à voz do Famine do que outra coisa qualquer, dizer que isto soa a Peste Noire pode ser enganador para alguns. Creio que faria mais sentido dizer que soa a Peste Noire recente, um bom bocado diferente de Peste Noire antigo. A banda está claramente a tomar uma direcção diferente, talvez não "diferente", seria mais correcto até dizer que está a tomar uma direcção muito mais focada em pormenores que anteriormente eram quase que como adereços, meros pormenores de importância relativa.
Não acho todavia que ser open minded seja um requisito necessário para se poder apreciar este álbum, acho que isso resume meramente ao gosto pessoal. Ontem à noite antes de ouvir o álbum estive a ouvir Corey Harris e depois dele estive a ouvir Church of Misery e não é isso que me faz gostar do álbum pelos vistos. Acho que este é basicamente um daqueles álbuns que ou se ama ou se odeia. No meu caso pende para a segunda opção. Não esquecer que é sempre difícil analisar a importância de um álbum no contexto musical da altura em que este é lançado. Não são raros os casos de álbuns que são praticamente ignorados ou ridicularizados na altura do seu lançamento e mais tarde tidos como verdadeiras obras-primas. Tal como é bastante vulgar um álbum imediatamente ser considerado um clássico, para mais tarde ninguém se lembrar dele. Veremos como será neste caso específico.
Ñec, também me parece muitíssimo bem uma banda renovar-se e saber explorar novos territórios, sem medo da sua recepção. É por isso mesmo que de vez em quando aparecem álbuns
groundbreaking que dissipam barreiras e se elevam ao estatuto de clássicos. Umas experiências resultam, outras não. Tal como tu também já esperava um álbum com algumas... surpresas. A mim não me agrada muito este rumo do DJ Famine, mas quem sabe, talvez mais tarde faça o
click.
Demoniac, também acho o Famine tem gostinho especial por provocar, não foi à toa que eu usei a comparação de Nargaroth, hehe. Anyway, respeito há-de ter sempre da minha parte, nem que seja pelo simples facto da carreira de Peste Noire conter trabalhos fabulosos e esse crédito já ninguém lhe pode retirar.
Para mim é apenas uma desilusão, ao nível do último álbum de Drudkh, mas nada de especial. Mas não é por este tipo de coisas que deixo de dormir...