Documentários sobre a 2º Guerra Mundial

Avatar do Utilizador
Nevoeiro
Ultra-Metálico(a)
Mensagens: 2011
Registado: terça set 05, 2006 6:07 pm
Localização: Amarante/Mesão frio
Contacto:

Re: Documentários sobre a 2º Guerra Mundial

Mensagempor Nevoeiro » segunda abr 13, 2009 6:42 pm

coragem Escreveu:o meu avô morreu antes de eu nascer portanto já nao está cá pra falar disso..
mas o meu pai diz que ele nunca queria falar do que lá passou :?


Sobre o soldado "Milhões":

"Num artigo que publicou na revista salesiana "Juventude" (em 1963), António Guilhermino Pires lembra que, ao confrontar o interlecutor com o argumento «recordar é viver», ouviu:
«Como se podem viver coisas de morte sem morrermos um bocadinho?»"

Talvez isto explique esse silêncio, ou não. :)

Avatar do Utilizador
Nevoeiro
Ultra-Metálico(a)
Mensagens: 2011
Registado: terça set 05, 2006 6:07 pm
Localização: Amarante/Mesão frio
Contacto:

Re: Documentários sobre a 2º Guerra Mundial

Mensagempor Nevoeiro » segunda abr 13, 2009 8:10 pm

Imagem

La Lys

Com a Operação Georgette, planeada pelo estado-maior alemão e comandada pelo general Ludendorff, o desgastado Corpo Expedicionário Português em França (CEP) conheceria o seu Alcácer-Quibir
Por Pedro Caldeira Rodrigues

Dia 9 de Abril de 1918, terça-feira. Na frente da Flandres francesa, zona fria, húmida e pantanosa perto da fronteira com a Bélgica, a 2ª divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP) preparava-se para abandonar a primeira linha da frente, após longa e desesperada expectativa. Deveriam ser substituídos por tropas inglesas, e um sentimento de alívio começava a alastrar pelas fileiras.
Tudo se precipitou pela madrugada de um silêncio tenso, de súbito quebrado por um díluvio de fogo. Precisamente às 4 e 15, cerca de 1500 peças de artilharia pesada e de campanhas alemãs começavam a flagelar as posições portuguesas concentradas junto às margens do rio Lys, não longe da cidade de Armentières. Começava a «batalha de La Lys», uma das últimas grandes ofensivas militares do Império Alemão durante a I Guerra Mundial, e um desastre militar para Portugal.
Há mais de oito meses que os homens da 2ª divisão do CEP (incorporada no 1º Exército britânico de acordo com a Convenção Militar Anglo-Lusa, apesar de manter autonomia) se arrastavam por estas trincheiras frias e enlameadas, junto aos grandes poços de água putrefacta que no Inverno invadiam as enormes crateras provocadas pelas explosões dos obuses. As desavenças com os responsáveis militares ingleses, as novas prioridades deste «velho aliado», que antes se tinha comprometido em assegurar o transporte marítimo de pelo menos três divisões para França, a modificação da política de guerra após o golpe de Sidónio Pais, em 5 de Dezembro de 1917, foram factores decisivos para o desastre de La Lys.
A 2ª divisão portuguesas na Flandres-integrada no XI Corpo (frente do I Exército britânico) comandado pelo tenente-general Sir R. Haking - estava organizada segundo o modelo inglês, equipada com armamento britânico e possuia um efectivo combatente de 16 000 homens. Incluía ainda uma linha de retaguarda que, no primeiro dispositivo de combate, poderia chegar aos 25 mil soldados.
À direita era ladeada pela 55ª divisão britânica, também integrada no XI Corpo, e à esquerda pela 40ª divisão britânica, do XV Corpo, que tinha participado na recente batalha do Somme e estava desfalcada. As desgastadas 34ª, 19ª e 9ª divisões britânicas, também envolvidas nessa batalha, protegiam os sectores a norte.
Previamente, os ingleses tinham deslocado deste sector 12 divisões para reforçar os contingentes no Somme, optando por manter cerca de 20 mil homens na frente da Flandres. Quanto à primeira divisão do CEP, a sua retirada da frente tinha sido ordenada cinco dias antes e previa-se a sua iminente substituição por tropas da British Expeditionary Force (BEF).
O cenário militar da «batalha da Flandres» estava definido. Para uma primeira linha com cerca de 15 quilómetros, menos de 40 mil soldados aliados; do lado oposto, 1 500 peças de artilharia e oito divisões germânicas, num total de 136 mil homens prontos para avançar, além de mais quatro divisões em segunda linha e sete à retaguarda. Uma força colossal. E seria sobre os 16 mil soldados portugueses deslocados nas trincheiras, forçados a alongar-se por 12 quilómetros após a retirada da 1ª divisão do Corpo Expedicionário, que se concentrou o ataque.

Operação Georgette

A operação Georgette iniciou-se com uma «avassaladora tempestade de artilharia», incluindo o mortífero gás, que quase dizimou as primeiras linhas. As comunicações foram cortadas, a confusão instalou-se, e pelas 8 e 45 a infantaria alemã recebeu ordens para avançar pela terra de ninguém em direcção às primeiras trincheiras aliadas, protegida pelo «nevoeiro espesso e primitivo», na expressão do escritor e historiador Jaime Cortesão, que esteve na linha da frente.
O rápido avanço das numerosas divisões alemãs de infantaria comandadas pelo general Ferdinand von Quast surpreende as primeiras linhas Luso-britânicas e impede qualquer resistência eficaz. Dezenas de milhares de soldados saltam dos abrigos e, numa extensão de 20 km, concentram o ataque num dos pontos considerados mais fracos, os «pontos de ligação», as «soldaduras» da divisão portuguesa com as divisões britânicas, no sector de Fleurbaix. As brechas nestas linhas defensivas, a ausência de reservas na retaguarda preparadas para acudir à frente de batalha, quase determinaram uma vitória alemã em larga escala.
O balanço deste primeiro embate foi pesado. Luís Alves de Fraga, professor universitário e autor de estudos sobre o tema, fornece um balanço preciso das baixas portuguesas na batalha de La Lys: 30 oficiais, 33 sargentos e 551 praças mortos, enquanto são feitos prisioneiros (incluindo muitos feridos) 270 oficiais e 6 315 sargentos e soldados. Metade dos efectivos portugueses colocados em primeira linha é morto ou feito prisioneiro. Quanto aos feridos, não existe um número exacto, pelo facto de terem sido recolhidos pelos dois exércitos em presença.

Tempestade de ferro

Capitão-médico miliciano no CEP, Jaime Cortesão foi testemunha privilegiada de La Lys. No livro "Memórias da Grande Guerra (Obras Completas de Jaime Cortesão, XVII, Portugália Editora, 1969), descreveu os efeitos da batalha quando se encontrava em convalescença no Hospital das Doidas, próximo da linha da frente, após ferimentos em combate. Presenciou os soldados que transportam em macas «mutilações humanas», o «coro desgarrado de apelos e uivos, como de reses mal abatidas», a «horrível massa humana ensaguentada e uniforme», tudo testemunhos dos desvastadores efeitos do ataque alemão às linhas portuguesas.
Divulgou ainda testemunhos pessoais.
«Eu estava nas linhas, Frazão. Saímos hoje de manhã. Às 4 da madrugada rompe um dilúvio de metralha tão formidável, como nunca vi nem sonhei. A tempestade de ferro durou horas», refere o testemunho do Capitão Queirós, «todo encharcado em lama, negro, desvairado, pintado a sangue e pólvora» e que «sufoca de gases». Os mortíferos gases das trincheiras...»
«Eu vi, eu vi: ao atravessar o campo as granadas caíam aos milhares! Alevantavam o chão todo! A terra fervia em cachão!», confirmará outro ferido. «Lembrava o Inferno, a terra toda a arder!», acrescenta o do lado. Alguém descreve a batalha: «Depois ao vir da manhã atacaram. Atacaram em massa, às ondas, sempre em ondas, uma catadupa de homens. Só muito perto os vimos surgir do nevoeiro espesso da manhã. De nós os que ficámos, raros intactos, resistimos até à última. Houve cargas de baioneta. Uma fúria! A seguir abateram ou manietaram tudo à força do número. Vi junto de mim, ali ao pé, oficiais alemães, pistola em punho, atirando sobre os poucos que tentavam salvar-se. É o Alcácer-Quibir do CEP!»
O próprio complexo hospitalar, a Casa das Doidas, por pouco não escapa à fúria do ataque: «As shrapnels de 15 (obuses repletos de balas que se expandiam após a deflagração, muito utilizados neste conflito) ribombam sobre o hospital.» O edifício acabará por ser evacuado ao cair da tarde.
Serão as tropas inglesas do BEF que acabarão por conseguir suster o avanço alemão, em 22 de Abril, após o reforço das primeiras linhas. Devido às características das guerras de trincheiras, com baixas nunca até então imaginadas entre as forças envolvidas nos combates, os alemães, apenas conseguiram avançar alguns quilómetros. E sem lograrem o seu principal objectivo, romper de forma decisiva as linhas aliadas e alcançar o mar.

Prenúncios do Desastre

Desde Março que os alemães efectuavam um premonorizado reconhecimento do terreno e estavam ao corrente das fragilidades e do desgaste que assolava o CEP. Mas diversos sinais preocupantes antecederam o 9 de Abril. Cinco dias antes, um batalhão português que deveria regressar às trincheiras, no subsector de Ferme du Bois , recusa cumprir a ordem e é remetido a um campo disciplinar. E, no dia 6 de Abril, o comando do CEP deixava de ter a responsabilidade da defesa e a 2ª divisão portuguesa era incorporada no XI Corpo do Exército britânico.
Uma ordem que contrariava as intenções do comandante do CEP, general Tamagini de Abreu, do chefe de estado-maior do Corpo, coronel Sinel de Cordes, e do próprio comandante da 2ª divisão, general Gomes da costa, forçados a aceitá-la.
Outros factores contribuíram para o desastre. Além da desmoralização, e da revolta, os efectivos portugueses estavam desfalcados e existia um défice de comando: na totalidade da 2ª divisão do CEP faltavam 37% de oficiais e 24% de praças; nas tropas de infantaria a redução abrangia 42% de oficiais e 28,8% de praças, e nas de artilharia menos 34,4% de oficiais e 13,2% de praças.
O «clássico» "Portugal na Grande Guerra", publicado sob a direcção do general Ferreira Martins (editorial Ática, Lisboa, 1934), confirma que no primeiro trimestre de 1918 a situação do CEP se agravou de forma considerável: «os depósitos de pessoal eram dispersos e absorvidos pelas unidades em 1ª linha, os recuperados eram em número insignificante e os efectivos, principalmente os quadros, diminuíam em progressão assustadora. A larga permanência na frente era a causa principal de um acentuado e bem justificado definhamento físico e de uma depressão moral que era bem evidente».
Desde Abril de 1917 que as tropas portuguesas tinham começado a entrar em linhas, nas trincheiras, mas conheceram um grande desgaste durante todo esse Inverno, com a interrupção do envio de mais tropas para França. O acto de insubordinação ocorrido no batalhão de Infantaria foi outro sinal que fez acelarar a disposição de renovar os contingentes. Sem qualquer resultado prático.
A estatística indica que dos 1 912 oficiais que pediram licenças de campanha neste período, apenas 1 090 regressaram à frente. E a imprensa da época confirmava a debandada. (...)

Visão nº4, Fevreiro de 2009, pag 62 e 64


:oops:

Sim, férias sem nada de mais interessante para fazer.

Avatar do Utilizador
Nevoeiro
Ultra-Metálico(a)
Mensagens: 2011
Registado: terça set 05, 2006 6:07 pm
Localização: Amarante/Mesão frio
Contacto:

Re: Documentários sobre a 2º Guerra Mundial

Mensagempor Nevoeiro » segunda abr 13, 2009 9:01 pm

Fatherland (1994)






















Avatar do Utilizador
Diaaabo
Ultra-Metálico(a)
Mensagens: 1586
Registado: quarta mai 07, 2008 5:23 pm
Localização: Alentejo & Lisboa
Contacto:

Re: Documentários sobre a 2º Guerra Mundial

Mensagempor Diaaabo » segunda abr 13, 2009 9:31 pm

coragem Escreveu:o meu avô paterno teve foi na primeira grande guerra :? participou na famosa batalha de La Lys :|


O meu bisavô materno tamem lá esteve, e voltou pra contar a história! Eu é que nunca o conheci :?
- O que é que se faz nas piscinas?
- Nada...


Voltar para “Arquivo 2004 a 2009”

Quem está ligado:

Utilizadores neste fórum: Nenhum utilizador registado e 34 visitantes