Dessa manhã imaculada
Nascendo por entre colinas enevoadas
Marmórea e gélida
Nem destas folhas suadas
Pelas minhas mãos carregadas
Como carvão, negras eram
Mas em palidez se desvaneceram
Tal como sonhos que luz nunca deram
E em constantes labirintos em ti se perderam
De criança repetidos à eternidade pela vastidão
Preenchida unicamente por solidão
Pois a brisa marinha salpicou-as
E do teu corpo, por tuas mãos marcadas
Num cais com a noite vindoura
Assim como essa tarde à beira-mar passada
E jovens juras de amor
Disfarçadas por inocentes paixões ao calor
Numa gaveta achei essas velhas folhas
E percorri-as com os meus dedos
Apenas para descobrir que não são as mesmas
Preenchidas com escritos que não decifro
Ou talvez tão grande é o desejo de me libertar
Que me tento rever e tudo olvidar
Amor e ódio, nada em nós há que seja eterno
Excepto eternas sacras cidades esculpidas em mármore
Que no plágio do divino
Tentam conter minha alma"
Algo bastante diferente do que costumo escrever, mais urbano, nostálgico e em português