Vejo pessoas a definhar à minha volta, pessoas que se queixam das maleitas que a vida lhes trouxe. Não posso dizer que me afectam, não há emoção alguma que me ligue ao sofrimento dessas pessoas...apenas um elo profissional.
Mas nem sempre é possível manter a distância que nos protege dessas situações, e é quando elas acontecem a quem nos é próximo que nos vemos sem saber como agir, reagir, o que dizer, o que pensar...
E chega ao ponto em que imaginamos como será o fim dessas pessoas, e inevitavelmente, como será o nosso fim.
Morrer...ser enterrado...é o fim que nos espera...e deixa-se para trás a imagem do corpo frio e sem vida, a sensação de sufoco quando deitam o caixão ao chão e lhe lançam a terra em cima.
Seria menos chocante se fossemos como bolinhas de sabão?
Existiríamos pelo tempo que é nosso...e quando chegasse a altura desapareceríamos no ar deixando atrás o rasto de gotículas em tons madrepérola...ao invés da imagem fria e desesperante que deixam aqueles a quem chega a hora...
Bolinha de Sabão
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LS [RIP]
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Svandis [RIP]
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Strega [RIP]
Concordo Svandis quando falas da obsessão, e isso aplicasse a tudo na nossa vida. É realmente muito preocupante quando qualquer pessoa tem esse pensamento como constante...ainda mais se a pessoa é uma criança. Quando passa ao exagero é porque algo não está bem. Fico contente por teres percebido o conteúdo do texto.
Abnos não é uma questão de queixa...foi um pensamento em resultado de uma situação real.
Quanto à definição de objectivos não posso dizer que concordo totalmente contigo...Acho que não deve ser a finitude da vida a razão pela qual nos propomos a atingir algo. Devemos sim fazê-lo pelo prazer que isso nos dá (ou não), pela certeza de que naquele momento é o certo para nós...Aliás como é que defines tanta coisa se não sabes quando vais morrer??
Resta-te aproveitar ao melhor o presente...o futuro logo se verá. Há uma frase que se calhar até se adequa, embora eu não saiba o autor:
"Não faças planos para a vida, para que não estragues os planos que a vida tem para ti"
E quando se diz "...os planos que a vida tem para ti." Não interpreto com a teoria de que nada é decidido por nós. Vejo mais como uma chamada de atenção para que não se percam oportunidades (seja em que aspecto da vida for) ainda que estas não sejam aquelas que nós definimos como objectivos...
e como já me estou a esticar e a divagar paro por aqui...
Abnos não é uma questão de queixa...foi um pensamento em resultado de uma situação real.
Quanto à definição de objectivos não posso dizer que concordo totalmente contigo...Acho que não deve ser a finitude da vida a razão pela qual nos propomos a atingir algo. Devemos sim fazê-lo pelo prazer que isso nos dá (ou não), pela certeza de que naquele momento é o certo para nós...Aliás como é que defines tanta coisa se não sabes quando vais morrer??
Resta-te aproveitar ao melhor o presente...o futuro logo se verá. Há uma frase que se calhar até se adequa, embora eu não saiba o autor:
"Não faças planos para a vida, para que não estragues os planos que a vida tem para ti"
E quando se diz "...os planos que a vida tem para ti." Não interpreto com a teoria de que nada é decidido por nós. Vejo mais como uma chamada de atenção para que não se percam oportunidades (seja em que aspecto da vida for) ainda que estas não sejam aquelas que nós definimos como objectivos...
e como já me estou a esticar e a divagar paro por aqui...
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FreeSoul [RIP]
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Kookai [RIP]
Fazes-me lembrar um poema do qual eu gosto muito.
"Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados,
fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs,
convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer:
"Fulano de tal comunica ao mundo que vai transformar-se
em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio."
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos escuros,
olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir à despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio."Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes… (primeiro, os olhos
…em seguida, os lábios…depois os cabelos…) a carne,
em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se em fumo…
tão leve…tão subtil…tão pólen…como aquela nuvem além (vêem?)
- nesta tarde de Outono ainda tocada por um vento de lábios azuis…"
José Gomes Ferreira
Não é o que todos queriamos?...
"Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados,
fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs,
convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer:
"Fulano de tal comunica ao mundo que vai transformar-se
em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio."
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos escuros,
olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir à despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio."Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes… (primeiro, os olhos
…em seguida, os lábios…depois os cabelos…) a carne,
em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se em fumo…
tão leve…tão subtil…tão pólen…como aquela nuvem além (vêem?)
- nesta tarde de Outono ainda tocada por um vento de lábios azuis…"
José Gomes Ferreira
Não é o que todos queriamos?...
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