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Mensagempor Aiwass » terça jul 19, 2005 3:23 pm

Como neste fórum se encontram alguns utilizadores que colaboram em zines ou blogs onde fazem críticas a discos, gostaria de trocar algumas ideias com alguns.

Que método utilizam para escrever uma crítica a um disco, que tipo de abordagem têm perante o texto, como conciliam os vossos gostos com a fria análise à componente técnica e criativa de um disco. Que aspectos valorizam mais na criação, etc...

O que acham que as outras pessoas pensam dos vossos textos? Acham que eles são esclarecedores de alguma coisa, pode encaminhar o leitor na descoberta de um disco...

Há espaço para a criatividade do redactor no texto crítico ou este deve restringir-se à análise mais formal do disco?

Partilhem as vossas opiniões, pode ser uma discussão enriquedora para todos, até para músicos.
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Mensagempor Mindwalker » terça jul 19, 2005 3:47 pm

Das melhores reviews que se vão fazendo:

AversiOnline
Now, I've noticed a tendency for this thread to get rather silly...
बोधि

Brujo [RIP 2009/08/10]

Mensagempor Brujo [RIP 2009/08/10] » terça jul 19, 2005 3:51 pm

concordo.
btw, e não para dar graxa ou algo parecido, acho as criticas do Aiwass bastante interessantes. estás lá.

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Mensagempor Aiwass » terça jul 19, 2005 4:10 pm

AnasaziMindwalker Escreveu:Das melhores reviews que se vão fazendo:

AversiOnline


Imagino esse gajo um daqueles gordos americanos, com barba grande porque é demasiado desleixado para a fazer, a escrever uma review com o teclado ao colo, sentado num sofá todo manchado e com caixas de pizza ressequida por todo o lado... pilhas de cd's por toda a casa, posters de gajas nuas...

Ele não pode ter vida pessoal, é impossível fazer o que ele faz, ter um emprego e ainda ter tempo para ele.

Mas sem dúvida que faz um trabalho extraordinário, e encara a review com espírito de missão. ... e sem constragimentos de espaço, que também é importante. Em imprensa isso não acontece.
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Mensagempor Mindwalker » terça jul 19, 2005 4:27 pm

Não sabia que te referias só a imprensa... aliás, no teu "post" inicial até mencionaste blogs e webzines, portanto creio que a abrangência é grande.

De qualquer modo, e mesmo em imprensa, há pessoal que tem essa vida que referiste e ainda assim parece ouvir os discos meia vez. E este tipo da AversiOnline trabalha, ao que sei.

De qualquer modo, não creio que se deva fazer da falta de tempo uma "desculpa" para seja o que for... se uma pessoa se mete num projecto e depois a vida dá voltas que impeçam um contributo com a qualidade desejável, acho que a própria pessoa deve ser a primeira a rever a sua posição.
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Abracadaver [RIP]

Mensagempor Abracadaver [RIP] » terça jul 19, 2005 4:37 pm

Sem qualquer ordem especial:

Ser imparcial. Não dar notas mediante o possível relacionamento ou contacto com o artista / banda.

Bom português. Sem exageros, claro está. Eu, pelo menos, gosto pouco de ler coisas que me parecem masturbanços a gramáticas.

Balanço entre o "técnico" e o "básico". Ou seja, a mesma crítica deverá ilucidar o puto que tem 3 ou 4 CDs e o músico com 30 anos de carreira.


Isto são os meus "mandamentos" sempre que abro o word. As críticas a discos não são tão fáceis como as fazem. Ou pelo menos, as minhas não.
Para alguém que ouve uma média de três discos novos por semana, conseguir considerar um único trabalho poderá não ser pêra doce.
Pessoalmente, antes de pegar no disco para crítica, pego na discografia anterior da banda (se a tiver) e ouço com a devida atenção. Depois, passo para o disco em questão e trato de o ouvir. Umas 5 audições "normais" e outras tantas de headphones e depois mais normais até sentir que percebi a obra. Entretanto, ler tudo o que é biografias, outros artigos de imprensa, etc, de modo a perceber como reagem os outros ao mesmo que ouvi. Não altera muito a minha percepção, mas é uma segurança (há quem lhe chame outra coisa, mas estou-me a cagar).

Resta por fim escrever o artigo. Apesar de ser a favor de alguma originalidade ou liberdade (uma metáfora nunca matou ninguém), evito grandes epopeias sobre o mesmo. Referem-se coisas como originalidade, execução, produção e outros detalhes de interesse para alguém que nunca ouviu o disco ou a banda. Se for a primeira crítica a um artista / banda na zine, é provável que comece com uma sempre resumida biografia.

Pessoalmente não gosto de críticos que acham que a sua suave e delicada pele não merece o contacto com a merdisse da caneta e cortam tudo pela raiz. É um método, realmente, mas não o meu.

Acho importante ter em conta se é um trabalho nacional ou não. Para citar apenas um exemplo: uma banda que grava um trabalho pouco original, mas com excelente produção, boa construção de temas e afins. No cenário nacional poderia dar um 7 ou 8 (embora os números apenas sirvam para resumir "totalmente" a opinião desenvolvida em muitas linhas) mas se tiver em conta o cenário internacional descia imediatamente para 3 ou 4.

Eu faço isto por puro prazer e nem uma única recompensa monetária (pelo contrário, gasto do meu bolso). O objectivo? Divulgar arte e artistas, pois foi (e ainda é) assim que conheço quase tudo dentro da arte.
Obviamente há quem o faça por dinheiro (imprensa generalista, numa maioria) e quem o faça para receber promos ou ir a concertos de graça. É com cada um, estou-me bem a cagar para o que os outros fazem. Sou responsavel q.b. (mais do que muita imprensa com cartão de jornalista. mas isso são merdicesses para conversas de backstage).

Felizmente o cenário nacional de imprensa está a safar-se mais ou menos bem, actualmente. Continuam a existir bons, maus, péssimos, os que desistem, os idiotas que ocupam espaço, etc mas desde que se continue a divulgar arte e artistas (e isso sim, é o que interessa), porreiro.

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Mensagempor Aiwass » terça jul 19, 2005 6:02 pm

AnasaziMindwalker Escreveu:Não sabia que te referias só a imprensa... aliás, no teu "post" inicial até mencionaste blogs e webzines, portanto creio que a abrangência é grande.

De qualquer modo, e mesmo em imprensa, há pessoal que tem essa vida que referiste e ainda assim parece ouvir os discos meia vez. E este tipo da AversiOnline trabalha, ao que sei.

De qualquer modo, não creio que se deva fazer da falta de tempo uma "desculpa" para seja o que for... se uma pessoa se mete num projecto e depois a vida dá voltas que impeçam um contributo com a qualidade desejável, acho que a própria pessoa deve ser a primeira a rever a sua posição.


Não me refiro a apenas imprensa. Isso foi apenas um desabafo pois é notório que o tipo da Aversion não tem limitações de espaço, pelo menos aparentemente. Sem dúvida que é um excelente exemplo de boas críticas a discos, tal como alguns colaboradores do Digital Metal.

Só fiz aquele cenário porque é espantosa a quantidade de textos que o tipo da Aversion publica. Mais ainda: quantidade com qualidade.

A ideia em iniciar o topic era a discussão a que o Abracadaver deu seguimento. Uma troca de ideias sobre os métodos que cada um utiliza antes de fazer algo que não é tão fácil como parece.

Mas é interessante ver a diferença entre os textos da Aversion (por exemplo) e de alguma imprensa especializada, mesmo em Portugal. Muitas vezes lemos um texto e ficamos sem saber nada sobre o disco. Ficamos a conhecer um pouco o historial da banda, quem o produziu, que tem um guitarrista novo, uma capa bonita mas do essencial não falam.
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Mensagempor Deadheart » quarta jul 20, 2005 1:55 am

Sem dúvida que é um excelente exemplo de boas críticas a discos, tal como alguns colaboradores do Digital Metal.


Erik Thomas rules!!! :twisted:
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Mensagempor Aiwass » quinta jul 21, 2005 1:07 am

Abracadaver Escreveu:Acho importante ter em conta se é um trabalho nacional ou não. Para citar apenas um exemplo: uma banda que grava um trabalho pouco original, mas com excelente produção, boa construção de temas e afins. No cenário nacional poderia dar um 7 ou 8 (embora os números apenas sirvam para resumir "totalmente" a opinião desenvolvida em muitas linhas) mas se tiver em conta o cenário internacional descia imediatamente para 3 ou 4.


Discordo completamente deste tipo de coisas. Acho a nacionalidade das bandas completamente indiferente e as bandas portuguesas que fazem um bom trabalho não precisam de ser beneficiadas pela sua nacionalidade. Acho até ofensivo para a sua integridade artística.

Boas produções já se vão arranjando por cá. Não temos nenhum Andy Sneap mas na era do digital consegue-se tirar um som aceitável com poucos recursos financeiros. Temos inúmeros exemplos disso em Portugal.

Respeito a tua opinião e compreendo-a mas seria incapaz de fazer o mesmo.
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Mensagempor Dico » domingo jul 24, 2005 10:27 am

Ora aqui uma ideia bem fixe para um tópico. Boa, Aiwass. :beer:

Bom, embora tendo consciência de que ainda tenho muito que aprender em termos de crítica musical (não era nada má ideia que o Cenjor fizesse um curso do género), vou contribuir com as técnicas que uso para escrever as minhas críticas.

Antes de mais, quando os CDs me chegam às mãos, por vezes nem sequer trazem biografias e comunicados de imprensa. Vem o CD e mais nada. O que é que faço nesses casos? Ou contacto a banda/editora ou vou à Net procurar o site oficial do grupo. Caso este não exista, procuro info acerca do grupo em fóruns, motores de busca, etc., etc.

Depois, oiço atentamente o álbum/demo/EP/whatever, no mínimo umas 6 vezes, porque só assim é possível tentar perceber a totalidade do disco. NUNCA oiço um disco à pressa e muito menos faço críticas de CDs que nunca ouvi, como já aconteceu com vários jornalistas, incluindo portugas.
Caso o disco que vou ouvir seja um registo de um grupo que eu já conheço, dou-me ao trabalho de ouvir os discos anteriores, à semelhança do que o Abra faz, para estabelecer termos de comparação.

Quando é um grupo q eu não conheço faço o possível para conhecer trabalhos anteriores, para fazer precisamente essas comparações. No entanto, evito o mais possível de ler críticas a trabalhos sobre os quais aind vou escrever, porque sinto que, directa ou indirectamente, posso ser influenciado por elas.

Quanto à escrita, faço sempre uma selecção de tópicos fundamentais que me vêm à ideia quando estou a ouvir o disco. Depois vou escrevendo o texto - sempre enquanto oiço a música. Algo importante é contextualizar as coisas, fazer uma breve biografia do grupo (especialmente se for pouco conhecido), falar dos elementos da banda (quem são, q instrumento tocam, se já vêm de outros grupos), estabeelcer termos de comparação com outros grupos.

No fundo, o que realmente interessa é ter consciência que devemos prestar um bom serviço às pessoas. A imparcialidade é fundamental. Já dei notas de merda a CDs/demos de grupos em q tocam amigos meus.

O que realmente importa é dizer que o produto é quando quando realmente o é e dizer que é uma merda se de facto o for. Ponto final. E se as bandas n gostarem, azar. Tenho por hábito enviar um mail às bandas sempre que publico uma crítica ao seu trabalho. Algumas, mesmo que recebam más notas, escrevem a agradecer a sinceridade. E são essas q interessam, as bandas q têm capacidade de encaixe e que retiram ensinamentos de uma má crítica. São essas bandas q vão ter um lugar ao sol.

Escrevo de forma imparcial, o q me interessa é o q a música me faz sentir. Os músicos tocam bem ou mais valia estarem a dormir? A produção é boa ou uma merda? os músicos sabem escrever temas ou nem por isso? Copiam esta ou aquela banda ou são originais?

Outro aspecto a q dou muito importância é aos pormenores, q podem ser fundamentais. No fundo, dou (ou tento dar) uma visão o mais geral possível acerca do disco, tento analisar todos os detalhes. Preocupo-me em entrar no espírito da banda e percebê-la, toque ela Black Metal, Punk ou Progressive. Analiso a banda de acordo com o que é expectável de uma banda do género.

Tento escrever o melhor possível, revejo os textos 500 vezes e preocupo-me em ser sucinto. Obviamente q todas estas regras n são universais, mas tento segui-las.

Quanto à opinião que os outros têm das mi has críticas...sinceramente, gostava de saber. Se alguém quizer começar, força. Digam de vossa justiça tudo o que gostam e que n gostam nos meus textos, só assim é possível evoluir.

Abracadaver [RIP]

Mensagempor Abracadaver [RIP] » domingo jul 24, 2005 7:22 pm

Aiwass Escreveu:Discordo completamente deste tipo de coisas. Acho a nacionalidade das bandas completamente indiferente e as bandas portuguesas que fazem um bom trabalho não precisam de ser beneficiadas pela sua nacionalidade. Acho até ofensivo para a sua integridade artística.

Boas produções já se vão arranjando por cá. Não temos nenhum Andy Sneap mas na era do digital consegue-se tirar um som aceitável com poucos recursos financeiros. Temos inúmeros exemplos disso em Portugal.


Bem, realmente tens razão. Mas lá está, quando a nota é influênciada por esse tipo de coisas, acabo por referir no texto da crítica. Acho que me expressei mal porque acabei de constatar que faço isso em "demos" e não em álbuns.


Dico, tens toda a razão no primeiro (e nos restantes) ponto que referiste. Não acho que ninguém consiga ser perfeito a criticar algo, uma vez que estamos limitados ao factor "conhecimento". É quase como um concurso de beleza (metáfora de merda, mas deve dar para perceber): Dentro do universo das candidatas que participam é realmente possivel encontrar a mais bonita e afins. No entanto, é pefeitamente possível que exista uma mulher bem mais bonita mas que não participou no concurso.

Outra coisa que me esqueci de referir é o método "rascunho", que também uso bastante. Há sempre um papel e uma caneta quando ouço o álbum pela primeira vez para apontar ideias que aparecem.
Outra coisa é também isso de entrar no "espírito" da banda. Não sei se estou em erro, mas encontrei uma crítica feita por ti ao álbum dos Assacínicos (apenas um exemplo) em que me pareceu totalmente enquadrada no som da banda, que diga-se, é muito dificil de descrever de uma forma "correcta" ou mais tradicional.

E já agora, para descascar em mim mesmo - há que encarar com frontalidade, como dizia o outro - é mesmo a revisão de textos. Como o tempo é pouco e os textos são muitos (inclusive de outros colaboradores), por vezes encontro cada erro de português que até doí. :roll:
Se quiserem opinar e ajudar aqui o amigo abra (assino como Aires Ferreira) a melhorar a escrita, será bem-vindo.


Quanto aos que aqui participaram; gosto mesmo muito da escrita do Aiwass. Até porque a maioria dos conteúdos que me interessam na Underworld são assinados por ele. Simples, directo e perceptível. The way i like it.
Já o senhor Dico, está na minha lista dos preferidos e que mais vão de encontro à minha opinião pessoal, à semelhança do que acontece com o sô Bronze. Resumido, honesto, bom português e MUITA cultura musical juntamente com verdadeira paixão pela arte faz-me quase um Dico-Fan hehe

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Mensagempor titobett » segunda jul 25, 2005 12:39 am

quanto às minhas criticas [armageddon.com.sapo.pt], geralmente são curtas. Costumo primeiro fazer uma frase, com uma sintese do percurso da banda até ao momento. Digo o que acho do cd em geral (qualidade sonora, estilo, influencias, etc, etc), faço referencia aos temas que mais me chamaram a atenção no disco. Mas quando faço uma review, o texto surgeme no momento, vou escrevendo... ate acabar.

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Mensagempor ORIS » segunda jul 25, 2005 12:26 pm

há que fazer avaliações concisas baseadas na experiência,no trabalho em si.... e tudo que está directamente ligado ao que criticamos ou opinamos...
ao avaliar usamos a nossa experiência musical e ñ só, tudo o que existe de base p um bom formulário...
e bom raciocínio e uma boa avaliação...

Ps- agora por um gajo ñ gostar de um género de som.... ñ se vai destruir ... há que saber dar valor aos musicos que estão presentes num determinado trabalho... independentemente dos nossos gostos e preferências.
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Mensagempor Aiwass » segunda jul 25, 2005 5:12 pm

Curioso falarem nos Assacínicos... penso que levaram a pior nota da história do Underworld. Não fui eu que fiz o texto mas se calhar teria escrito coisas piores...

E relativamente ao texto em si? Permitem-se a dar largas à vossa criatividade ou fazem as coisas da mesma forma?

Para exemplificar, apresento uma review do meu camarada Marte, do Underworld:

Fantômas
Delìrium Còrdia
CD'04 . Ipecac / Sabotage


"Exmo. Sr. Dr. Mike, da secção de Pattonlogia:
Venho desta forma comentar o seu último comprimido Fantômas na versão Delirìum Còrdia. Estive recentemente internado no Hospital de Almada sujeito a uma vasectomia e foi-me administrado o seu último trabalho. Adormeci profundamente sempre que tomei o dito comprimido! Mesmo passado um mês, depois da operação e já estando operacional para o coito, continuo a adormecer ao tomar este analgésico!
Por outro lado, já me disseram que Fantômas não tem efeitos, desconfia-se que é um placebo criado por si e os Drs Dunn (do Instituto de Otorrinolaringologia Mr. Bungle), Osborne (da Clínica de Urologia Melvins) e Lombardo (da Empresa Farmacêutica Slayer & Grip Inc.). Aliás a sua carreira nos últimos tempos tem se pautado por sucessos na área da sonolência, conseguindo até transformar os vírus Japanoise de Masami Akita (da Clínica Neurológica de Merzbow) num enfadonho Maldoror e isto para não falar do entediante trabalho desenvolvido no Hospital Tomahawk. É certo, que a versão "Director's cut" do Fantômas quase nos acordou (a mim e a tantos outros pacientes sofredores pelo mundo fora) mas suspeito que tal só aconteceu porque o comprimido era composto por investigações sobre trabalhos de grandes médicos como Morricone, Rota, Badalamenti, Barry, Mancini... Talvez esteja a ser injusto, pois relembro agora como conseguiu - em parceria com a empresa Dillinger Escape Plan - criar o poderoso esteróide EP/Irony Is A Dead Scene. E não me esqueci do excelente guia sexual "Lovage", trabalho conjunto com o veterinário especializado em Gorillaz, Dan Nakamura, e a Dra. Jennifer Charles do Posto Médico Elysian Fields, que tanto me inspirou a realizar esta bem sucedida vasectomia.
Esperava que continuasse a fazer trabalhos tão importantes como os referidos mas confesso que tenho sérias dúvidas sobre projectos que lança através da sua própria empresa Ipecac. Não percebo como lança estimulantes como Dälek, Curse of the Golden Vampire, Kaada e Kid 606 para combater doenças horríveis como Plague Hip Hop, Death Jungle e Plunderphonics se depois os produtos de sua criação são excelentes para dormir em Paz.
Se calhar pensa que não se devia envolver com Mr. Bungle, Instituto tão propenso a descobertas auditivas. Parece-me que o seu Ego pode estar inchado por resolver tantos problemas a pitas anoréxicas, metálicos diabéticos e intelectuais cafeínomanos mas a verdade é esta, Sr. Mike: se eu tivesse de dar uma pontuação a este seu último comprimido, numa escala de 0 a 5, daria apenas um mísero 3,5, valor vexante para um génio como Sua Excelência.
Cumprimentos cordiais, Marte"

in UNDERWORLD #13 Julho 2004


O que acham deste tipo de textos? Há lugar para o humor? Há lugar para subverter completamente a lógica de uma review?

Digam de vossa justiça.
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Brujo [RIP 2009/08/10]

Mensagempor Brujo [RIP 2009/08/10] » segunda jul 25, 2005 5:20 pm

lolol, por acaso quando li essa review achei muito fixe o modo como ele a fez. pensei : este gajo deve-se passar nao? :lol:


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