As palavras que te envio são interditas

Phobos [RIP]

As palavras que te envio são interditas

Mensagempor Phobos [RIP] » sexta jul 29, 2005 6:21 pm

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.

Eugénio de Andrade

Svandis [RIP]

Mensagempor Svandis [RIP] » segunda ago 01, 2005 7:37 am

Hmmmmmmmmmmmmmmmmmm...

(Não, não é um post inútil.)

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ORIS
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Mensagempor ORIS » segunda ago 01, 2005 9:56 am

boa escolha... o Eugénio tem uns poemas interessantes... 8)
e ñ tão banais como se pensa...
Hanged by Mental Fibers Crystallized Thru Gold...At the Gates of Oblivion - Vastness Project

http://www.youtube.com/user/ProjectVastness
http://neophytus.deviantart.com/

Hediond [RIP]

Mensagempor Hediond [RIP] » terça ago 02, 2005 3:09 am

Poema XVIII

"Impetuoso, o teu corpo é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.

Imagem dos gestos que tracei,
irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei.
E nele o céu fica mais perto."

Eugénio de Andrade

Hediond [RIP]

Mensagempor Hediond [RIP] » terça ago 02, 2005 3:11 am

Adeus

"Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas."

Adeus.

Eugénio de Andrade

(Desculpem, não resisti) :wink:

Svandis [RIP]

Mensagempor Svandis [RIP] » terça ago 02, 2005 7:46 am

E ainda bem q não resististe!!!! LIIIIIINDOOOOOO!!!!!

Phobos [RIP]

Mensagempor Phobos [RIP] » terça ago 02, 2005 8:43 am

Pah adora este poema
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor
,

mesmo mesmo mesmo!!


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