Noite, irmã da Razão e irmã da Morte,
Quantas vezes tenho eu interrogado
Teu verbo, teu oráculo sagrado,
Confidente e intérprete da Sorte!
Aonde são teus sóis, como coorte
De almas inquietas, que conduz o Fado?
E o homem porque vaga desolado
E em vão busca a certeza que o conforte?
Mas, na pompa de imenso funeral,
Muda, a noite, sinistra e triunfal,
Passa volvendo as horas vagarosas…
É tudo, em torno a mim, dúvida e luto;
E, perdido num sonho imenso, escuto
O suspiro das coisas tenebrosas…
Antero de Quental
Lacrimae Rerum
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M.v.K [RIP]
Lacrimae Rerum
Última edição por M.v.K [RIP] em terça ago 16, 2005 11:30 pm, editado 1 vez no total.
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Hediond [RIP]
Antero de Quental. Já não lia esse á tanto tempo. Gosto muito.
"Para alem do universo luminoso,
cheio de formas, de rumor, de vida,
de forças de desejos e de vida,
abre-se como um vácuo tenebroso.
A onda desse mar tumultuoso
Vem ali expirar, amaecida...
Numa imobilidade indefinida
termina ali o ser, inerte, ocioso...
E quando o pensamento, assim absorto,
emerge a custo desse mundo morto
e torna a olhar as coisas naturais,
A bela luz da vida, ampla, infinita,
Só vê com tédio, em tudo quanto fita,
a ilusão e o vazio universais. "
"Para alem do universo luminoso,
cheio de formas, de rumor, de vida,
de forças de desejos e de vida,
abre-se como um vácuo tenebroso.
A onda desse mar tumultuoso
Vem ali expirar, amaecida...
Numa imobilidade indefinida
termina ali o ser, inerte, ocioso...
E quando o pensamento, assim absorto,
emerge a custo desse mundo morto
e torna a olhar as coisas naturais,
A bela luz da vida, ampla, infinita,
Só vê com tédio, em tudo quanto fita,
a ilusão e o vazio universais. "
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