Poderia imaginar que já não sinto, que no meu coração o vazio domina... que o meu corpo se movimenta sem destino ao som das minhas emoções, que falo a dor que me sustenta, que toco o sufoco que me atormenta. Como é viver uma vida com um erro imortal?! Com um pedaço imperfeito, disforme, ilusões de aromas que não desaparecem, daquilo que pensamos ser nós mesmos mas que nos sutura a pele, provamos do nosso próprio fel, feridas que saram falsamente, odores que deixaste em mim, a necessidade de terminar o sofrimento, cada vez mais perto o fim.
E a solidão torna-se minha amiga, amante, salvação distante que observo sem remorsos, no horizonte que esqueci, corrompidas visões de ti... mata-me não me ignores, não me vires as costas quando choro, hoje expulsaste-me de dentro do teu corpo, purificaste-me da tua alma e deixaste-me ao relento, num purgatório isolado de paredes esbranquiçadas, pálidas sombras de amor destroçadas, escavadas em memórias dispersas de sorrisos que já não voltam, de lábios que já não beijam, de mãos que já não tocam. O que eu acabei de fazer?!!
Maldição, o cinzento do teu rosto, fotografias do passado postas de lado, apagar a essencência como forma de demência... arrastar sofrido, perdido e achado, percurso sinuoso adornado de insegurança, o meu mundo deixou de respirar contigo, os meus olhos deixaram de ver a beleza em meu redor. Tudo ficou feio, a magia desapareceu, a força definhou, o sonho desvaneceu... eu sei que errei.
E sei que não mereço mas... dança comigo... sei que te magoei mas perdoa-me, dá-me mais uma oportunidade de te fazer feliz, de fazer aquilo que sempre quis. Não me ignores assim, não me ofereças silêncio e indiferença, desculpa-me... as palavras não apaziguam a dor, não devolvem o tempo perdido, ouve-me...
Odeio sentir-me assim, um barco perdido num oceano tão vasto, sem destino que me alegre na efemeridade da existência, mais um passageiro, somente mais um, nada de importante sou eu...
Lentamente me recolho num abrigo feito de mágoa, aguardo pelo momento em que a força que me abandonou ouse em voltar, e no dia em que retribuires um sorriso meu, nesse dia... poderei parar de chorar.
Pensamentos de mim
-
Svandis [RIP]
Voltar para “Arquivo 2004 a 2009”
Quem está ligado:
Utilizadores neste fórum: Nenhum utilizador registado e 51 visitantes