O jornalismo musical em análise

Dico
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O jornalismo musical em análise

Mensagempor Dico » quarta out 25, 2006 7:24 pm

O JORNALISMO MUSICAL EM ANÁLISE - PARTE I

1 - Músicos e jornalistas: uma relação conflituosa
Numa entrevista recente, um músico nacional atribuiu aos jornalistas as culpas do impasse verificado nas carreiras de algumas importantes bandas portuguesas (sem imaginar que a razão para tal residirá, essencialmente, na pequenez do nosso mercado e na sistemática falta de condições aos mais diversos níveis).

Não satisfeito, imputou ainda responsabilidades aos profissionais (ou amadores) da comunicação social no tardio reconhecimento interno do valor de alguns desses colectivos, primeiro consagrados fora de portas. Não há memória de tão despudorada investida pública contra os jornalistas de música na sua vertente mais underground em Portugal.

Além de ignóbeis, as acusações revelam-se totalmente infundadas, sendo mesmo contraditórias. Atentemos bem na confusão mental inerente a esta frase: (...) "não terão também os Media que fazer o seu trabalho duma forma isenta e de apoio total às bandas, no lugar de criticarem negativamente, como alguns fazem?". Antes de mais, um jornalista/crítico de música é também um divulgador. Nessa condição, dá o seu apoio incondicional às bandas (divulgando espectáculos e novos trabalhos discográficos, redigindo notícias, efectuando sessões de DJying, dando a conhecer novos grupos, criando projectos de divulgação como fóruns online, etc.), independentemente dos subgéneros em que estas que se movam.

Por outro lado, enquanto crítico, o jornalista deverá pautar o seu trabalho pela objectividade e neutralidade rigorosas. A apreciação negativa, assim como a positiva, é inerente ao trabalho do crítico. Isenção e neutralidade implicam avaliar uma obra sem preconceitos ou condicionalismos exógenos. Portanto, uma crítica é, sobretudo, um artigo de opinião, que deverá ser favorável quando o CD (neste caso) for disso merecedor. Não existindo mérito ou qualidade no trabalho a análise só poderá ser negativa.

Foi esse o caso do músico em questão. Cego pelas críticas nada abonatórias ao CD do grupo a que pertence (cuja falta de talento é crónica), disparou em todas as direcções. Desgraçadamente, não teve lucidez nem distanciamento suficientes para entender que nem é bom executante nem o seu álbum vale 1/100 do valor de mercado. Erro crasso.

Mais à frente, o músico – de ego reconhecidamente gigantesco e proporcional falta de humildade - afirma que nada mudará enquanto existirem "músicos frustrados a camuflarem-se nas funções de críticos". Acusação grave que me leva a retorquir: nada mudará enquanto houver músicos sem talento, incapazes de analisar criticamente o seu trabalho.

Só há uma forma de os agrupamentos receberem boas críticas: gravarem bons discos e darem bons espectáculos. Não existe outra maneira de trabalhar pois, ao contrário do que muitos pensam, os jornalistas não são fantoches que as bandas podem manipular a seu bel-prazer nem estão ao seu serviço. Não, meus amigos, esqueçam essa ideia.

A função do jornalista/crítico vai muito para além da pancadinha nas costas que o amigo/familiar do músico lhe dá afirmando "Excelente álbum, gostei muito", não obstante a sua real opinião. Só os incompetentes e fracos de espírito ambicionam ouvir de terceiros aquilo que pretendem e não a verdade. Coitados, não fazem mais do que enganar-se a si próprios.

2 – Músicos politicamente correctos – uma consequência da profissionalização?
Se dúvidas houvesse quanto à vitalidade que as bandas nacionais atravessam bastaria ouvir um dos muitos álbuns ou maquetas de qualidade que têm chegado ao público nos últimos anos ou assistir a um espectáculo: os músicos evoluíram imenso tecnicamente, diversas bandas equiparam-se agora às suas congéneres estrangeiras e as campanhas promocionais são, em geral, bem feitas e eficazes.

Mas há sempre a outra face da moeda. À medida que alguns grupos (não podemos generalizar, é claro) se profissionalizam ou adquirem experiência relevante tornam-se, paradoxalmente, menos interessantes de entrevistar. As respostas passam a ser formatadas, calculistas e, por vezes, decoradas. De entrevista para entrevista (mesmo que telefónica ou presencial), encontram-se frases inteiras iguais, independentemente das perguntas que sejam colocadas.

Alguns músicos veteranos autoprogramaram-se para dar respostas politicamente correctas, em geral sustentadas em frases feitas, nas bajulações aos fãs e na falsa humildade. A manobra, que soa forçada, não é diferente do trabalho de preparação que os políticos desenvolvem antes de uma entrevista num qualquer estúdio de rádio ou televisão. Resultado: entrevistas pobres e muito (mesmo muito) desinteressantes. É pena...
Dico
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Mensagempor garras » quinta out 26, 2006 10:29 am

onde posso ler essa entrevista?

pjms V2.0 [RIP]

Mensagempor pjms V2.0 [RIP] » quinta out 26, 2006 11:29 am

uiiiii
já tinha lido isto.

aki é um assunto muito conflituoso k dá pano para mangas!!!!

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Mensagempor ORIS » sexta out 27, 2006 5:31 am

pjms V2.0 Escreveu:uiiiii
já tinha lido isto.

aki é um assunto muito conflituoso k dá pano para mangas!!!!


ui ui...
e q mangas...
de resto simplesmente posso dizer q apesar das afirmações contraditórias, em alguns pontos essa pessoa tem razão. mas lá está isso agora é algo q obviamente (penso eu) será aqui discutido brevemente!
Hanged by Mental Fibers Crystallized Thru Gold...At the Gates of Oblivion - Vastness Project

http://www.youtube.com/user/ProjectVastness
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Mensagempor garras » sexta out 27, 2006 8:10 am

garras Escreveu:onde posso ler essa entrevista?

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Gornoth
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Mensagempor Gornoth » sexta out 27, 2006 9:41 am

garras Escreveu:
garras Escreveu:onde posso ler essa entrevista?


Dico Escreveu:blogue Metal Incandescente
http://metalincandescente.blogspot.com/

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Mensagempor garras » sexta out 27, 2006 10:04 am

ok, mas n encontro la a entrevista.

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Mensagempor Gornoth » sexta out 27, 2006 10:28 am

garras Escreveu:ok, mas n encontro la a entrevista.


Uh... mea culpa. Não registei bem o que tinhas perguntado, e pensei que te referias ao artigo que está aqui no primeiro post. Sorry.

Também não faço ideia onde está a entrevista.

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Mensagempor garras » sexta out 27, 2006 10:32 am

eheheheh no problema dude!!
cada vez percebo menos este pessoal, se calhar nem é pa perceber, enfim.

Phobos [RIP]

Mensagempor Phobos [RIP] » sexta out 27, 2006 11:07 am

"não terão também os Media que fazer o seu trabalho duma forma isenta e de apoio total às bandas, no lugar de criticarem negativamente, como alguns fazem?"


Realmente esta frase é brilhante.Parece os empresarios portugueses a reclamar q o estado nao deve intreferir no mercado enquanto ao mesmo tempo choram por apoios do estado.Deve ser um problema genetico.

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Mensagempor BKD. » sexta out 27, 2006 6:19 pm

É engraçado, que muitas coisas nesse artigo, são exactamente aquilo que muito boa gente na nossa "cena" "underground" acha que é o caminho a seguir...basta ver a chuva de apupos a que alguém é submetido por aqui quando crítica de forma que não seja pancada nas costas algum agrupamento musical da nossa "cena"...
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Mensagempor Errante » sexta out 27, 2006 7:12 pm

BKD. Escreveu:É engraçado, que muitas coisas nesse artigo, são exactamente aquilo que muito boa gente na nossa "cena" "underground" acha que é o caminho a seguir...basta ver a chuva de apupos a que alguém é submetido por aqui quando crítica de forma que não seja pancada nas costas algum agrupamento musical da nossa "cena"...


Penso que a razão de tal acontecer é as bandas, na sua maioria, tocarem música por todos os motivos possiveis excepto pela música em si.

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Mensagempor Dico » sábado out 28, 2006 6:24 am

Lord_Phobos, a analogia q estabeleceste com os empresários tugas não poderia ser melhor conseguida. Subscrevo!
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Mensagempor Maeve » sábado out 28, 2006 10:42 am

pondo certas coisas de lado, queixarem dos media é um bocado attention whore, ai a fama a fama...

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Mensagempor Postmortem » domingo out 29, 2006 3:32 am

Onde está a entrevista?


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