Discussão: A Escola e o seu Papel Social / Exclusão e Integração na Sociedade

Avatar do Utilizador
Venøm
Ultra-Metálico(a)
Mensagens: 4097
Registado: quinta jan 03, 2008 10:50 am
Localização: Setúbal

Discussão: A Escola e o seu Papel Social / Exclusão e Integração na Sociedade

Mensagempor Venøm » sexta abr 16, 2010 12:13 am

Abro este tópico porque não deixo de achar um pouco assutador o sistema de ensino escolar em que alguns vivemos, completamente ausente de quaisquer valores morais ou sociais.
Todos os dias os miudos vão à escola desde tenra idade, e desde cedo são treinados para agir como um utensilio, uma ferramenta do estado para ser lançado no mercado de trabalho, portanto o aluno tem de ser um ser aceptico, programado para fazer aquilo que lhe mandam na escola.

Mas não era suposto a escola ser um lugar onde os alunos podessem aprender aquilo que gostassem e que fosse realmente util a nivel pessoal? Teoricamente é essa definição, mas existe um fosso cada vez maior entre professores e alunos na escola da sociedade dos dias de hoje. um professor é visto como um ser autoritario, um policia enquanto que o aluno é visto como um elemento, um numero que tem de agir conforme o que lhe mandam fazer, onde a avaliação consiste apenas em ver se o aluno sabe fazer correctamente aquilo que lhe mandam e a escola deixa de ser interessante a partir desse ponto e obviamente, os alunos perdem o interesse.
No fundo o que se passa é que a escola de hoje exclui mais socialmente do que integra. Um aluno que não saiba, que ponha em causa o sistema de ensino do professor, que, em muitos dos casos seja pobre/carenciado, que não se adapte a aprender como lhe é imposto é imediatamente posto por parte, em turmas problematicas, por exemplo onde são imediatamente carimbados com um carimbo de Sem Futuro, fim da linha, onde ha um qualquer desinteresse por parte dos professores e da escola. É claro que, há imensos miudos que são impossiveis de aturar, mas todos têm futuro e têm direito a um seguindo ou não as regras impostas pelo sistema. E é aqui também onde a escola alimenta estereotipos e preconceitos sociais entre alunos e entre alunos professores, como em certos casos que ja presenciei.

Isto é no fundo uma opinião muito breve minha e pouco construida. Estou com um bocado de pressa para sair daqui e ainda não arrumei bem as ideias, no fundo quero criar aqui um espaço onde se discuta este assunto, que diz respeito a todos.

No fundo vejam isto. Não é em portugal mas tambem não é nada que não se passe cá e em muitos outros paises. Retrata bem o ponto de vista de um estudante de outra realidade social que também existe em portugal. Normalmente são estas as pessoas que não têm voz e que nos fazem questionar um bocado se realmente estamos a criar um sistema correcto baseado em pessoas ou se estamos a criar um sistema infernal de máquinas e seres isolados, mesmo entre a nossa família:

Ouçam, faz-vos bem:
Última edição por Venøm em sexta abr 16, 2010 4:26 pm, editado 1 vez no total.

Avatar do Utilizador
Lapeno Enriquez
Ultra-Metálico(a)
Mensagens: 4614
Registado: sábado jul 26, 2008 3:32 pm
Localização: Permafrost
Contacto:

Re: Discussão: A Escola e o seu Papel Social / Exclusão e Integração na Sociedade

Mensagempor Lapeno Enriquez » sexta abr 16, 2010 12:26 am

:cry:
...natasnatasnatasnatasnatasnatasnatasnatasnatasnatasnatasnatasnatasnatasnatasnatas...
MORTE AO FALSO METAL Imagem

Avatar do Utilizador
Mescaline
Metálico(a) Supremo(a)
Mensagens: 784
Registado: segunda ago 11, 2008 4:09 pm
Localização: Almada

Re: Discussão: A Escola e o seu Papel Social / Exclusão e Integração na Sociedade

Mensagempor Mescaline » sexta abr 16, 2010 1:25 am

Welcome my son, welcome to the machine.
What did you dream?
It's alright we told you what to dream.


:cry:

Avatar do Utilizador
Cthulhu_Dawn
Moderador
Mensagens: 2427
Registado: sábado set 22, 2007 10:39 pm
Localização: Londres, Reino Unido

Re: Discussão: A Escola e o seu Papel Social / Exclusão e Integração na Sociedade

Mensagempor Cthulhu_Dawn » sexta abr 16, 2010 7:45 am

Bah, não posso ver o video já que aqui no escritório não tenho colunas nesta porra deste computador... :|

Mas por acaso a minha perspectiva vai um pouco no sentido inverso do comentário do Vooder. Ou seja, acho que se há figura que hoje em dia não é (nem de perto nem de longe) associado a qualquer noção de autoridade é precisamente o Professor. Não tenho grandes teorias para explicar porquê e falo apenas de acordo com a experiência que tive do secundário e com aquilo que vou sabendo pelas histórias que a minha irmã me conta e também o irmão da minha mulher. Eu que pensava que fazia parte de uma turma meio complicada quando andava na escola, fico parvo com a completa infantilização dos meninos e meninas que estudam hoje em dia...Uma coisa tão simples como durante uma aula, em que o professor está a dar a matéria, as pessoas levantarem-se e passearem-se de uma ponta da sala para a outra para falar sobre outra coisa qualquer. Ou raparigas a maquilharem-se durante a aula como se fosse a coisa mais natural deste mundo, ou (isto na minha turma antiga) entrarem a jogar futebol dentro da sala ou a tentarem amarinhar pela parede do quadro acima (tipo parkour). Ou um colega meu mostrar um cutelo ao professor e pedir-lhe para não o chatear mais...Ou um dos vídeos daquela coisa chamada Katyzinha ou lá o que é (não aquelas dissertações filosóficas sobre all stars mas um em que chegam a uma sala e durante 10min não fazem mais do que gozar com a professora) ou ainda o célebre grito do Ipiranga do "Dá-me o meu telemóvel"...

É certo que haverá casos (há sempre) nas ditas escolas "problemáticas" onde os alunos de facto sentem-se excluídos, olham para a escola como algo que não lhes é útil, não vai servir para nada...etc. No entanto nesses casos até muitas vezes o esforço dos próprios professores e alunos é, paradoxalmente, maior para tentar resolver as coisas (lembro-me das reportagens que se fazem de vez em quando nas escolas da Cova da Moura), melhorar as infraestruturas, melhorar a própria comunidade que rodeia a escola, etc.
Depois e a título muito pessoal (por isso não me crucifiquem) por acaso não acho que a escola devesse ser o sítio para os alunos aprenderem "aquilo que gostassem", embora reconheça que deveria ser suposto estarem a aprender o que deveria ser útil para a sua realização enquanto estudantes e não apenas a nível "pessoal". Agora, isso torna-se dificil com programas que são feitos por pessoas que, muitas vezes, não dão aulas há 20 anos e que são sistematicamente mudados (as cíclicas "reformas") que cada Ministério vai experimentando a título de "deixa cá ver se pega".

Finalmente, embora a escola possa ser um sítio bom para que sejam incutidos aos alunos noções de cidadania, respeito pelo próximo, civismo, etc, acho que muito do trabalho já devia ser feito pelas próprias famílias (pais, tios, avós, etc), algo que cada vez mais se vê que não acontece, muitas vezes porque não há família para isso (sendo que aqui reconheço o problema) mas outras tantas porque simplesmente não estão para isso. Chega-se tarde do trabalho e não se está para perder meia hora com o filho/filha a perguntar se a escola correu bem, se há problemas, se precisa de ajuda nos trabalhos de casa etc... Há uma desresponsabilização por parte dos pais que pretendem que a escola passe, então, a assumir essa responsabilidade de não só ensinar mas também educar sendo que isso, a meu ver, é errado...

Só algumas ideias e desculpem o discurso, mas ainda não comecei a trabalhar por isso ainda posso escrever à vontade :D

Avatar do Utilizador
Venøm
Ultra-Metálico(a)
Mensagens: 4097
Registado: quinta jan 03, 2008 10:50 am
Localização: Setúbal

Re: Discussão: A Escola e o seu Papel Social / Exclusão e Integração na Sociedade

Mensagempor Venøm » sexta abr 16, 2010 4:14 pm

Cthulhu_Dawn Escreveu:Bah, não posso ver o video já que aqui no escritório não tenho colunas nesta porra deste computador... :|

Mas por acaso a minha perspectiva vai um pouco no sentido inverso do comentário do Vooder. Ou seja, acho que se há figura que hoje em dia não é (nem de perto nem de longe) associado a qualquer noção de autoridade é precisamente o Professor. Não tenho grandes teorias para explicar porquê e falo apenas de acordo com a experiência que tive do secundário e com aquilo que vou sabendo pelas histórias que a minha irmã me conta e também o irmão da minha mulher. Eu que pensava que fazia parte de uma turma meio complicada quando andava na escola, fico parvo com a completa infantilização dos meninos e meninas que estudam hoje em dia...Uma coisa tão simples como durante uma aula, em que o professor está a dar a matéria, as pessoas levantarem-se e passearem-se de uma ponta da sala para a outra para falar sobre outra coisa qualquer. Ou raparigas a maquilharem-se durante a aula como se fosse a coisa mais natural deste mundo, ou (isto na minha turma antiga) entrarem a jogar futebol dentro da sala ou a tentarem amarinhar pela parede do quadro acima (tipo parkour). Ou um colega meu mostrar um cutelo ao professor e pedir-lhe para não o chatear mais...Ou um dos vídeos daquela coisa chamada Katyzinha ou lá o que é (não aquelas dissertações filosóficas sobre all stars mas um em que chegam a uma sala e durante 10min não fazem mais do que gozar com a professora) ou ainda o célebre grito do Ipiranga do "Dá-me o meu telemóvel"...

É certo que haverá casos (há sempre) nas ditas escolas "problemáticas" onde os alunos de facto sentem-se excluídos, olham para a escola como algo que não lhes é útil, não vai servir para nada...etc. No entanto nesses casos até muitas vezes o esforço dos próprios professores e alunos é, paradoxalmente, maior para tentar resolver as coisas (lembro-me das reportagens que se fazem de vez em quando nas escolas da Cova da Moura), melhorar as infraestruturas, melhorar a própria comunidade que rodeia a escola, etc.
Depois e a título muito pessoal (por isso não me crucifiquem) por acaso não acho que a escola devesse ser o sítio para os alunos aprenderem "aquilo que gostassem", embora reconheça que deveria ser suposto estarem a aprender o que deveria ser útil para a sua realização enquanto estudantes e não apenas a nível "pessoal". Agora, isso torna-se dificil com programas que são feitos por pessoas que, muitas vezes, não dão aulas há 20 anos e que são sistematicamente mudados (as cíclicas "reformas") que cada Ministério vai experimentando a título de "deixa cá ver se pega".

Finalmente, embora a escola possa ser um sítio bom para que sejam incutidos aos alunos noções de cidadania, respeito pelo próximo, civismo, etc, acho que muito do trabalho já devia ser feito pelas próprias famílias (pais, tios, avós, etc), algo que cada vez mais se vê que não acontece, muitas vezes porque não há família para isso (sendo que aqui reconheço o problema) mas outras tantas porque simplesmente não estão para isso. Chega-se tarde do trabalho e não se está para perder meia hora com o filho/filha a perguntar se a escola correu bem, se há problemas, se precisa de ajuda nos trabalhos de casa etc... Há uma desresponsabilização por parte dos pais que pretendem que a escola passe, então, a assumir essa responsabilidade de não só ensinar mas também educar sendo que isso, a meu ver, é errado...

Só algumas ideias e desculpem o discurso, mas ainda não comecei a trabalhar por isso ainda posso escrever à vontade :D

O video é bastante importante sobre aquilo que quero demonstrar. É o ponto de vista de um aluno proveniente de um bairro social no brasil, nasceu pobre, que teve em duas escolas, uma delas situava-se no bairro dele e diz que aí foi onde conseguiu aprender, a outra foi uma escola secundária com um sistema de ensino dito standard, onde passou um mau bocado.


Eu ontem também escrevi isto um bocado à pressa porque já estava de saída e isto até pareceu um bocado a teoria da conspiração.
A minha questão e o que quero que se discuta aqui é se realmente a escola e o sistema de ensino, como o conhecemos, não só em portugal, está realmente feita para todos. isto é, se está preparada ou disposta a aceitar alunos de todas as realidades sociais, raciais, económicas, etc...

O papela da escola não é fazer o papel dos pais, obviamente, e isso concordo, mas neste momento, com a falta de disponibilidade que os pais apresentam perante os filhos é assustador a forma como somos lançados ao mundo.
Numa familia dos tempos de hoje, os pais estão a contar que os filhos sejam educados por estranhos, ou seja, os professores que também vêm da sua própria realidade social. Os miudos chegam a casa e não ha qualquer sentido de união familiar. Um aluno hoje em dia vive em casa com apenas conhecidos amigáveis que são os pais.

Se a escola/sistema de ensino já é vista como um "sacrificio" para alguns alunos imagino só como será para alunos ditos "problemáticos". A meu ver são pessoas que também querem aprender, como todos, mas a maioria chega às escolas já sabendo que vão ser apontados como problematicos e marginais e são tratados/vistos de forma diferente. Obviamente são alunos com problemas em relação à autoridade, que pessoas como nós, que vivemos bem, não sentimos na pele, mas que para esses alunos é motivo de afronta. Não estou a dizer que são todos uns santinhos, há alunos que se estão mesmo borrifando e demonstram isso, e infelizmente esses são os que sobressaem mais e os que têm sempre voz.

Tive, o ano passado e antes, do 11º ao 12º ano, na minha escola secundária, o chamado liceu de setubal, um aluno na Turma moldavo. O gajo simplesmente caiu naquela turma de para-quedas, no meio de meninos que nasceram num berço de ouro, todos aspirantes a médicos, doutores e engenheiros que nunca souberam o que custa a vida, entre os quais eu e muitos outros. O rapaz não era problemático, não era mal educado, notava-se que fazia um esforço tremendo para se conseguir integrar conosco e com a escola. Basicamente embora tivesse a estudar nas mesmas condições teve menos apoio dos alunos e dos professores do que nós, foi excluido embora lá andasse, desde cedo foi carimbado como um caso perdido porque simplesmente se estavam todos a borrifar para ele.

A partir do momento em que chegou à turma era olhado de lado, sempre que falava numa aula era alvo de risota, sempre que se chegava a alguem era recebido com desprezo por parte dos professores como dos alunos. E agora pergunto porquê, e que culpa tem um aluno desses. Lembro-me da própria professora de biologia se virar para ele e perguntar-lhe o que é que ele andava cá a fazer e que era um caso perdido, quando realmente não era, porque embora viesse de uma cultura e estilo de vida diferente, era um rapaz que queria aprender, não era nenhum burro como o carimbavam. É claro que, graças ao apoio que eu mais uns colegas lhe demos, que o integrámos no meio de nós e o apoiámos com os estudos, ele conseguiu melhorar o português dele e as notas subiram aceitávelmente, mas para qualquer outro aluno na mesma situação que ele este abandono e exclusão seria motivo de revolta e de desistência.

Ou então outro exemplo, vindo de ha uns tempos, quando muitos portugueses foram forçados a emigrar para França e sofreram nessas escolas o mesmo tipo de exclusão social ao qual tiveram de se adaptar indo contra o seu modo de vida.

O que estou a perguntar é se a escola está realmente preparada para aceitar/integrar quem é diferente, quem pensa de forma diferente e quem vem de uma realidade diferente.
Claro que a escola não é o um sitio que deva fazer o papel dos pais ou dar o tipo de educação que os pais dão, porque na realidade a educação que os pais dão a nivel social pouco passa da teoria, porque assim que os miudos saem de casa e os pais vão trabalhar, sabe-se lá o que acontece. A realidade da vida, aquilo que nos rodeia também nos educa, ou, como se diz, ninguem cai na lama sem ficar sujo. Em vez disso vemos cada vez mais um fosso abismal entre alunos e professores, no qual o aluno é um operário e o professor é o patrão, vemos um afastamento enorme entre estes dois, que não pode acontecer porque o aluno precisa do seu professor e vice versa. Vemos já o mesmo a acontecer nos dias de hoje entre patrões e operários, um enorme fosso. E acho que, a nossa sociedade caminha para um mundo onde cada um é um ser isolado que só defende os proprios interesses e pouco mais, o dia a dia deixou de ser feito de ideais/propósitos e passou a ser uma coisa mediana, visto que é para aí que a nossa propria educação caminha, para um estilo de vida mediano e premeditado. Somo cada vez mais apáticos e insignificantes uns para os outros, seres assépticos, onde temos que usar guardanapos de papel senão apanhamos bacterias, onde não podemos ter qualquer posição/ponto de vista religioso/moral porque isso pode ofender outro determinado grupo de pessoas. etc.

Visto que a escola é a rampa de lançamento para um futuro prometedor, que garante independencia e empregabilidade ao estudante, não deveria ser um sitio onde fossem cultivados bons exemplos e valores morais? Visto que a escola é um local onde desde cedo os nossos filhos passam a maior parte da sua vida, desde tenra idade até aos 18, não deveria ser aí um local onde cada um fosse respeitado como a pessoa que é e livre de pensar e agir como quer, dentro do aceitável, em vez de estarmos a reduzir-nos a seres moralmente e socialmente burros, completamente ignorantes em relação às filosofias e psicologias que mudaram o mundo, apenas treinados para fazer-mos aquilo para o qual somos especializados? Porque é que temos este emsmo sistema de ensino baseado na discriminação e na lei do mais forte há anos e anos quando podemos ter algo bem melhor que não é utópico e existe!?

Avatar do Utilizador
Cthulhu_Dawn
Moderador
Mensagens: 2427
Registado: sábado set 22, 2007 10:39 pm
Localização: Londres, Reino Unido

Re: Discussão: A Escola e o seu Papel Social / Exclusão e Integração na Sociedade

Mensagempor Cthulhu_Dawn » sexta abr 16, 2010 5:01 pm

Bem, acho que devo ir fazer uma valenta salganhada de post... :lol:

Antes de mais acho que muitos dos alunos que são obrigados a ir à escola e tidos, na maioria das vezes, por "problemáticos" deviam ter outras alternativas à disposição nomeadamente na forma de ensino técnico-profissional (qualquer coisa que havia antes do 25/4 mas que foi eliminado com a Revolução). Hoje em dia já se voltou a tentar reintroduzir esta vertente de ensino (alguém que souber mais, por favor corrija-me), mas sempre um bocado a medo e sempre numa perspectiva de ensino de segunda, para "o pobre" ou o "filho de imigrante"...Quando aprender a ser electricista, bate-chapas, canalizador ainda é visto um bocado de lado.
Mas com isto estamos a falar de alunos que para todos os efeitos estão inseridos no contexto português, ou seja, não chegam do estrangeiros onde não só os contextos sociais são outros, mas ainda mais, o contexto cultural pode ser radicalmente diferente. Nestes casos, sinceramente não sei o que é que se pode fazer para facilitar a inclusão dessas pessoas, pelo menos no sentido em que tu dás a entender.
A ideia que eu tenho é que autonomizar grande parte das escolas em relação ao Min. da Educação poderia ser um primeiro passo, nomeadamente em relação aos programas dados. Talvez assim, cada escola poderia reunir o corpo docente e atendendo ao que é a realidade do seu corpo de alunos, pensar em soluções alternativas de transmitir os conhecimentos, de dar as aulas, de avaliar...sei lá...Isto agora é só mesmo no campo da especulação...Porque isto tudo é muito bonito, mas depois como é que se apresentavam esta rapaziada a exames nacionais, com percursos de aprendizagem que variavam de sítio para sítios...bah...
Fico à espera dos teus comentário para ver se também consigo responder melhor que entretanto está na minha hora... :lol: :cheers:

Avatar do Utilizador
KonigLowe
Ultra-Metálico(a)
Mensagens: 1700
Registado: quinta mar 11, 2004 3:55 pm
Localização: Submundo

Re: Discussão: A Escola e o seu Papel Social / Exclusão e Integração na Sociedade

Mensagempor KonigLowe » sexta abr 16, 2010 5:58 pm

Bom a ideia que tenho é precisamente que o professor é a total ausencia de autoridade dentro da sala de aula. E muito do que se passa vem também da falta de educação em casa.
Eu quando andava na primária o comportamento dos pais era "Sr(a) professor(a) se ele se portar chegue-lhe a roupa ao pelo". Hoje em dia o comportamento dos pais é "filho, se n gostares do teu professor diz-me que eu vou lá e fodo-lhe os cornos". Eu n sou defensor de varadas, reguadas, etc etc como foi no meu tempo, mas tb ver esta total falta de respeito dos alunos como se vê nos videos que aparecem no u tubi é ridículo. O professor tem que se fazer respeitar e os alunos têm que respeitar o professor. A escola deve ser um local seguro, e não um local de ostracização para alguns alunos e isso compete à direção da escola, aos professores e funcionários a devia atenção e responsabilização. Isto são as condições mínimas para que os alunos possam aprender as matérias e tb crescerem como pessoas.
Depois são precisos professores empenhados e motivados, com condições e bem pagos, e que logicamente devem ser tb avaliados. Um mau professor pode fazer com que determinado aluno se atrase em determinada matéria e então se apanha o mesmo mau prof dois anos seguidos pior ainda.
Mas livrai-nos do Malamén

Avatar do Utilizador
R33play
Metálico(a) Inspirado(a)
Mensagens: 213
Registado: quinta jun 18, 2009 1:03 am
Localização: Póvoa de Lanhoso / Vila Real
Contacto:

Re: Discussão: A Escola e o seu Papel Social / Exclusão e Integração na Sociedade

Mensagempor R33play » sexta abr 16, 2010 6:03 pm

Era por os problemáticos em turmas à parte para não prejudicarem que quer aprender e terem direito a apanhar coça se fizessem merda.
Imagem
http://www.lastfm.com.br/user/r33play

Avatar do Utilizador
OrDoS
Ultra-Metálico(a)
Mensagens: 5656
Registado: domingo abr 04, 2004 12:23 pm
Localização: Vieira do Minho / Braga

Re: Discussão: A Escola e o seu Papel Social / Exclusão e Integração na Sociedade

Mensagempor OrDoS » sexta abr 16, 2010 8:35 pm

Para mim, a base da culpa está no Estado e nos sucessivos Governos, por terem sucessivamente reduzido a autoridade aos Professores, desresponsabilizarem os pais e também permitirem que os horários dos putos não sejam das 8h30 às 18h30. Nesse tempo sim, para além das aulas obrigatórias estariam actividades de horário obrigatório, mas onde o aluno poderia escolher, tipo aulas extra, mas que seria o aluno a escolher. Se os alunos fossem para casa há 2ª falta disciplinar (a 1ª serviria de aviso e acabou-se aí o "aviso"), vocês iam ver se os pais não tinham mais mão neles e os putos deixavam de fazer asneiras (isto aliado a uma mudança do modelo de ensino, como eu coloquei).
Ora, como não há dinheiro e temos professores no desemprego porque não há dinheiro para preencher os seus horários, nunca vamos conseguir concretizar ideias bonitas tipo a que eu ideia (não disse que era boa, é algo que tenho no pensamento e que até já discuti nos últimos dias no tópico de Política).

Esse exemplo do puto moldavo que deste é triste, mas infelizmente a "culpa" aí é dos pais, pois foram eles que o inscreveram lá. Se há falta de um ensino especializado para esse tipo de pessoas, ou se é caro, mais uma vez de quem é a culpa? Não é dos professores, nem do aluno. Se a professora lhe perguntou o que é que ele andava a fazer por ali, se calhar foi porque não conseguia lidar com ele, não te esqueças que o Professor é alguém que tem as mãos cheias de trabalho e às vezes é difícil conseguir não mandar um desabafo cá para fora (sim, mesmo que seja pouco profissional, não conheço muita gente que uma ou outra vez não cometa um erro desses, seja grave ou não). Se calhar essa professora já tinha reportado o sub-rendimento do miúdo, tal como outros professores, mas não lhe cabe a ele perder tempo com ele, fazendo o resto da turma perder o comboio (e eu sei como são os programas escolares, umas horas de atraso no fim do ano faz uma diferença em coisas não aprendidas).

Um professor, tal como um pai, também pode ser um amigo em certas ocasiões, mas o seu trabalho é educar e (tentar) motivar os alunos, não é ser o maior, nem deve carregar às costas a cruz dos meninos mal-educados que têm de ser obrigados a estar ali e a ser passados até ao 9º ano, com má educação e sub-rendimento escolar. Mas de quem é a culpa aí? De quem é a culpa de ele ser como é, assumindo que não tem nenhum problema mental?

Mas já agora, tenho a dizer que esse ensino do tipo os miúdos escolherem o que querem deve ser feito com acompanhamento dos pais e dos professores, com eles próprios a sugerir o aproveitamento das capacidades que eles vão demonstrando, mas nunca sem descurar a componente geral, e lá está, por alguma coisa o 9º ano de escolaridade é obrigatório. A escolha de disciplinas deve ser algo que o aluno deve fazer sabendo à partida (e com acompanhamento) quais realmente as áreas em que se destaca.

Digo que quando vi aquele vídeo da Katyzinha e das amigas a entrar de telemóvel e a gravar a cena e a professora impávida e serena e PEDIR-LHES praticamente para saírem em vez de lhes dar uns tabefes ou chamar o contínuo para as pôr para fora da sala de aulas, é incrível e uma realidade assustadora. É claro que depois não os podem expulsar da escola sem uma MONTANHA de más razões, mas pronto, isto agora só importam é os números, respeito e autoridade para quê?

Já agora, tenho uns tios meus que são professores e que tiraram a reforma antecipada, mas olha que não foi por quererem a mesma, a minha tia entrou numa depressão porque ela (tal como o meu tio) adoravam a profissão e serem professores, mas os alunos que eles andavam a ensinar, que eram maioritariamente vindos de bairros sociais e pobres. Eles bem tetntaram espevitá-los e ensiná-los, mas era de todo impossível, vá lá que não tiveram muitos casos (acho que nenhum até, pois não me lembro) de violência, mas aqui há uns 2 anos o meu tio deu-lhes um teste ao qual chumbaram praticamente todos, ele corrigiu o teste na aula e depois passado uns dias voltou, de surpresa a dar-lhes o mesmo teste... adivinhem o que aconteceu... chumbou tudo outra vez... :lol: :roll:

E assim vai o estado da nação... :|
From word to a word I was led to a word...
ImagemImagem 20ª Edição - X11

Avatar do Utilizador
Venøm
Ultra-Metálico(a)
Mensagens: 4097
Registado: quinta jan 03, 2008 10:50 am
Localização: Setúbal

Re: Discussão: A Escola e o seu Papel Social / Exclusão e Integração na Sociedade

Mensagempor Venøm » sexta abr 16, 2010 8:52 pm

Só queria que reparassem numa coisa. Eu não estou a falar dos alunos que não querem aprender e que se estão nas tintas para a escola, e aí acho que nem a escola os safa, porque são os unicos culpados do estado em que estão, sejam eles ricos ou pobres!

E ja agora, vejam o video


Estou a falar de outros miudos com outros pontos de vista, outras realidades, outras realidade sociais que se vêm mal amparados nas escolas e qual o papel, ou qual deveria ser o papel da escola nesses casos de integração social. Muidos esses que ate se podem ter tornado "problematicos" graças à abordagem da escola e aos metodos das escolas e do ensino.

Porque quem anda cá a coçar-se a fazer merda também apoio que os enfiem nas obras! :evil:

LeadAether [RIP 2010/09/12]

Re: Discussão: A Escola e o seu Papel Social / Exclusão e Integração na Sociedade

Mensagempor LeadAether [RIP 2010/09/12] » sexta abr 16, 2010 10:03 pm

A minha opinião, nada elaborada porque acabou mais uma semana e, para não variar, estou rebentado. A escola pública está cada vez a afundar-se mais e da forma como as coisas estão não creio que se possam dar ao luxo de vir com teorias libertárias tipo Escola da Ponte (o aluno escolhe a matéria, circula livremente pelos espaços, o prof como par em vez de superior, etc.). É que daqui a uns anos a escola pública será o caixote do lixo. Não é este o momento para baixar o nível, porque se falhar uma escola pública com (nem que seja o mínimo dos mínimos) de exigência, então aí é que vão ver o que é a exclusão social. Com todos os seus defeitos, a escola pública ainda é o que permite que uma pessoa duma classe baixa possa subir socialmente. Mas os Passos Coelhos e outros cretinos pseudo-socialistas querem retirar o crédito à escola pública, metê-la na lama para depois distribuir os cheques-ensino que darão de mamar aos amiguinhos das privadas (mais um belo exemplo do entrepeneur tuga). As pessoas arrastam-se por papelada inútil, putos malcriados cada vez mais cedo (ouvir os miúdos do 5.º e 6.º Ano a falar nos intervalos, numa escola duma boa zona de Lx, é um susto), horas extraordinárias não pagas, reuniões infindáveis, leis atrás de leis, pais irresponsáveis, directores armados em ditadores, justificação ao pormenor dos níveis negativos que atribuir (para a escola não ficar mal na estatística), Estatuto do Aluno de bradar aos céus, enfim, e a cereja no topo do bolo: escolaridade obrigatória até ao 12.º Ano. Não é altura para discutir o sexo dos anjos, mas sim para subir o nível de exigência no ensino público: reduzir turmas, diminuir a burocracia, diminuir o número de disciplinas, colocar profs de Ensino Especial (tentem lá ensinar um cego a usar um computador e ao mesmo tempo dar aula a outros 19) e Psicólogos (mas não um para 300 alunos!), etc.

Avatar do Utilizador
Venøm
Ultra-Metálico(a)
Mensagens: 4097
Registado: quinta jan 03, 2008 10:50 am
Localização: Setúbal

Re: Discussão: A Escola e o seu Papel Social / Exclusão e Integração na Sociedade

Mensagempor Venøm » sábado abr 17, 2010 1:09 pm

OrDoS Escreveu:Esse exemplo do puto moldavo que deste é triste, mas infelizmente a "culpa" aí é dos pais, pois foram eles que o inscreveram lá. Se há falta de um ensino especializado para esse tipo de pessoas, ou se é caro, mais uma vez de quem é a culpa? Não é dos professores, nem do aluno. Se a professora lhe perguntou o que é que ele andava a fazer por ali, se calhar foi porque não conseguia lidar com ele, não te esqueças que o Professor é alguém que tem as mãos cheias de trabalho e às vezes é difícil conseguir não mandar um desabafo cá para fora (sim, mesmo que seja pouco profissional, não conheço muita gente que uma ou outra vez não cometa um erro desses, seja grave ou não). Se calhar essa professora já tinha reportado o sub-rendimento do miúdo, tal como outros professores, mas não lhe cabe a ele perder tempo com ele, fazendo o resto da turma perder o comboio (e eu sei como são os programas escolares, umas horas de atraso no fim do ano faz uma diferença em coisas não aprendidas).

Um professor, tal como um pai, também pode ser um amigo em certas ocasiões, mas o seu trabalho é educar e (tentar) motivar os alunos, não é ser o maior, nem deve carregar às costas a cruz dos meninos mal-educados que têm de ser obrigados a estar ali e a ser passados até ao 9º ano, com má educação e sub-rendimento escolar. Mas de quem é a culpa aí? De quem é a culpa de ele ser como é, assumindo que não tem nenhum problema mental?

Mas já agora, tenho a dizer que esse ensino do tipo os miúdos escolherem o que querem deve ser feito com acompanhamento dos pais e dos professores, com eles próprios a sugerir o aproveitamento das capacidades que eles vão demonstrando, mas nunca sem descurar a componente geral, e lá está, por alguma coisa o 9º ano de escolaridade é obrigatório. A escolha de disciplinas deve ser algo que o aluno deve fazer sabendo à partida (e com acompanhamento) quais realmente as áreas em que se destaca.

Digo que quando vi aquele vídeo da Katyzinha e das amigas a entrar de telemóvel e a gravar a cena e a professora impávida e serena e PEDIR-LHES praticamente para saírem em vez de lhes dar uns tabefes ou chamar o contínuo para as pôr para fora da sala de aulas, é incrível e uma realidade assustadora. É claro que depois não os podem expulsar da escola sem uma MONTANHA de más razões, mas pronto, isto agora só importam é os números, respeito e autoridade para quê?

Já agora, tenho uns tios meus que são professores e que tiraram a reforma antecipada, mas olha que não foi por quererem a mesma, a minha tia entrou numa depressão porque ela (tal como o meu tio) adoravam a profissão e serem professores, mas os alunos que eles andavam a ensinar, que eram maioritariamente vindos de bairros sociais e pobres. Eles bem tetntaram espevitá-los e ensiná-los, mas era de todo impossível, vá lá que não tiveram muitos casos (acho que nenhum até, pois não me lembro) de violência, mas aqui há uns 2 anos o meu tio deu-lhes um teste ao qual chumbaram praticamente todos, ele corrigiu o teste na aula e depois passado uns dias voltou, de surpresa a dar-lhes o mesmo teste... adivinhem o que aconteceu... chumbou tudo outra vez... :lol: :roll:

E assim vai o estado da nação... :|

Mas o miudo não teve culpa, ele chegou cá e foi posto numa escola, sabiam lá os pais! O que se passa fora de casa os pais nunca conseguem controlar, e se não estivesse a passar pelo que passou na minha escola estava a passar pelo mesmo noutro sitio ou então era enfiado numa escola problemática onde ia parar a uma turma de delinquentes sobrelotada na qual ja tanto os professores como os alunos desistiram de ensinar e aprender.

E estas a dizer que deveria existir um ensino especial para esses alunos? Como separá-los todos. O unico ensino especial que pode ser feito são aulas especiais, turmas menores, maximo 14 alunos, se for caso disso 2 professores para essa turma.

A professora que lhe disse isso disse porque era uma vaca de merda, tanto para ele como para os restantes alunos, era uma velha que se tava a cagar pa tudo e todos. Claro que comigo nunca houve problemas com ela porque soube dar a volta à velha e sempre fui o maximo educado para ela. Agora, com o rapaz, como ele nao se sentia ainda adaptado tinha uma forma mais "grosseira e directa" de falar, do tipo chamavam o nome dele e ele dizia "quê?" porque ainda nao sabia responder de outra maneira, todos os professores toparam isso menos aquela. E na minha opinião mete-lo numa turma especializada so com gente como ele so o iria prejudicar, porque o rapaz agora está a tirar melhores notas graças ao esforço e às aulas de apoio que alguns professores se dispuseram a dar a ele e a miudos como ele!.

Agora claro, ha coisas como a disciplina sobre as quais não se deve abdicar, os programas escolares a meu ver até são fracos demais! Não ha qualquer formação industrial nas escolas, quem tem um curso proffisional ligado ao sector tecnico tem matematica B e ve-se atrapalhado com as analises na faculdade e quem tem mat A ve-se atrapalhado com as electronicas por exemplo... porque a maior parte de nos chegamos à faculdade e nem sabemos o que fazer! Mas a questão não é essa. O que estamos aqui a falar é da integração social que a escola deveria proporcionar aos alunos como cidadãos!

A minha mãe por exemplo, deu aulas no Montijo a alunos problematicos, gajos que se pegavam à pancada no meio da aula, traziam navalhas e tudo, putos pobres, e conseguiu sozinha dar conta do recado, mas claro não foi so graças a ela. Porqu eé impossivel controlar uma turma de miudos problematicos com mais de 20 alunos. O que a escola tem de fazer é saber quem sao os alunos, de onde vêm e fazer turmas mais pequenas para eles, mesmo que com outros alunos não problematicos. E foi isso que a minha mãe propôs à escola, que tivesse turmas mais pequenas (claro que ha sempre algum parvalhão que vem dizer que é discriminação dos alunos), e foi isso que aconteceu. A minha mãe conseguiu levantar as notas a matematica daqueles gandulos e o mais curioso era que os gajos mais mal comportados eram 2 gajos filhos de pais ricos que agora são empresários que se divertiam a desestabilizar a aula. A minha mãe tinha 24 anos na altura, salvo erro.

E é essa a solução, claro que tem de haver regras e disciplina, mas não pode haver um fosso entre professores e alunos. O que se está a criar hoje em dia é um isolamento entre os dois e entre alunos de diferentes estratos sociais, quando no fundo as escolas deveriam aceitar miudos da cidade inteira igualmente distribuidos, para que não haja só escolas de indios ou escolas de meninos ricos, as pessoas têm de aprender a conviver! já foi assim e ainda é assim nalgumas escolas.
Eu proprio tive um professor de matematica no ano passado que, apesar de sermos so 14 na turma, so dava aula para alguns e não eramos problematicos. Era apenas um sacana arrogante. Eu sempre participei na aula e mais outros, mas a partir do momento em que eu tirei uma negativa num teste, ele simplesmente virou-me as costas, desprezava-me, basicamente desistia de quem tirava ma nota. (felizmente lá consegui passar a mat com boa media) mas o gajo deu-me 1 valor a menos do que o que merecia. A propria escola onde andei tinha os laboratorios num estado miseravel, e o concelho directivo tinha uma carpete de arraiolos no cão armários todos bonitos com porcelanas, quando se partia alguma coisa no laboratorio, mesmo que o aluno pagasse o estrago, o material nunca era reposto... etc. Coisas que acontecem por ai fora...

Não estou a culpar os professores e a santificar os alunos, não é isso! Acho que o problema reside nas proprias escolas, e na direcção desta.

Por exemplo, a escola D. Manuel Martins de Setubal, situa-se nas manteigadas e acolhe miudos problematicos provenientes de bairros sociais, mas também acolhe miudos que vivem bem, digamos assim. Conheço um professor de lá que diz mesmo que graças à mão da direcção da escola em relação aos alunos problemas de delinquencia, vandalismo são imediatamente punidos. E é verdade, a escola está equipada ao maximo, se um aluno precisar de uma aula de apoio tem-na combinando com o professor. Lembro-me que houve um aluno lá que resolveu andar a escrever nas portas das casas de banho e o castigo dele foi ir para o meio do pátio da escola nos intervalos limpar a porta, caso contrário levava uns dias de suspensão com um rpcesso disciplinar em cima. Claro que, vieram os paizinhos e tudo proteger o menino, mas claro, o director "Meus amigos ou limpa ou sai suspenso, não ha ca meias medidas". Ah, e claro, quem fosse apanhado a gozar com ele por estar a fazer o serviço, era convidado a participar também :mrgreen:
E lá está, obviamente sempre ha os arruaceiros, mas os professores e a direcção da escola conhecia os alunos mais carenciados que precisavam de ajuda, e graças ao esforço desses elementos, conseguiram prestá-la a quem precisava porque a direcção aí tanto tem mão de ferro com a falta de disciplina dos alunos como com a falta de disciplina dos professores. E é um bocado isso que se passa hoje, alguns professores acham que podem fazer aquilo que lhes apetece dentro das aulas e alguns alunos também acham isso porque nao gostam da postura do professor, e e vice-versa, e forma-se uma bola de neve.

Agora escolas como a da Bela Vista que é um bom exemplo, a direcção está-se a cagar, os professores podem inventar os maiores lobbies para se borrifarem pos alunos e os alunos estão-se a borrifar também porque sabem que sao vistos como casos perdidos, a direcção da escola está-se a cagar, os miudos tem aulas em salas a cair de podre, em pre fabricados, são turmas, as vezes de quase 40 alunos so para nao terem de abrir mais um espaço no horario. Obviamente aquilo é o reino da macacada, a anarquia total, um barril de polvora localizado num só local de onde pouca gente realmente consegue sair porque a escola desistiu de todos eles assim como a sociedade. E isto não vem de suposições minhas, eu proprio falei com professores de lá que se queixam disso. O proprio ministerio considera discriminatorio fazer turmas mais pequenas para os alunos problematicos nos dias de hoje.

E obviamente, quando é assim, não é um professor ou um grupo de professores que conseguem dar conta do recado, por tão santos que sejam.


Voltar para “Arquivo 2010 a 2011”

Quem está ligado:

Utilizadores neste fórum: Nenhum utilizador registado e 8 visitantes