Política - Discussão ou algo do género.

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Grind-zé
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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Grind-zé » quarta dez 21, 2011 12:13 am

Venøm Escreveu:Claro que não dependem apenas de questões de desempenho. Mas não podes sacrificar uma empresa que mal se aguenta por causa de efectivos. E se as coisas continuam como estão, mais empresas vão à falência e não é o que se pretende.
Teres efectivos mais baratos em tempo de crise não quer dizer exactamente que percam qualidade de vida, em tempos de crise com trabalhadores mais baratos consegues um crescimento e uma flexibilidade laboral maior. E nem é preciso serem mais baratos nos ordenados, o problema nem é o ordenado, acho que esta medida até vem ajudar os trabalhadores a longo prazo. Com trabalhadores efectivos mais baratos vai ser mais fácil uma empresa empregar efectivos e mais gente mesmo que sejam mais faceis de despedir. No fundo é uma medida que a longo prazo vai aumentar a empregabilidade empresarial, já para não falar de que vai ajudar a extinguir os tais falsos recibos verdes.

Portugal é um país com um estado poderoso e dispendioso que se comprometeu a um regime Social Democrata, ou seja, as pessoas nos seus impostos estão a pagar para terem direito a todos os serviços, sejam eles saúde, polícia, advogados, etc etc... Como tal precisas de ter uma estrutura de produção grande para fazer face a essa despesa, coisa que Portugal não tem, a não ser empresas a dar com um pau, que por sua vez dependem do estado nos pagamentos e por sua vez outras empresas dependem dessas primeiras no que diz respeito a pagamentos. Neste momento, o que tu queres fazer é dar elasticidade às empresas, que são ou pelo menos deviam ser o foco principal de rendimento (e as principais entidades empregadoras) do país porque a nível de produção que consiga suster os nossos serviços somos uma anedota. Para isso as empresas precisam de respirar e ter margem de manobra em vez de terem sempre o estado (o primeiro a falhar nos compromissos) em cima. Ao facilitares o despedimento e a fazeres com que o trabalhador saia mais barato consegues fazer com que as empresas consigam contratar mais pessoal ao longo do tempo, pessoal que faz falta e que muitas vezes não entram na empresa porque está lá um efectivo a trabalhar à mais de 10 anos que já vale balúrdios. Assim mesmo que tenhas despedimentos logo de inicio a longo prazo vais fazer com que haja uma maior circulação de mão de obra por essas empresas.

No fundo o que aqui há é um Quantidade de gente empregada VS Direitos da gente empregada. Neste momento tem de se apostar na quantidade de gente empregada para fazer o dinheiro circular. Por isso tens um trabalhador Brasileiro, por exemplo que se calhar esteve anos sem receber nem metade dos beneficios que aqui se recebe, mas o facto de eles serem mais baratos do que nós neste longo prazo conseguiram agora alcançar um crescimento que agora já lhes permite obter mais beneficios sociais.



TPC:
Pense nas frases sublinhadas, se possível durante o horário de expediente. Tente também não se contrariar pois apenas demonstra que ignora os assuntos sobre os quais pretende falar.
Obrigado.

Editado: agora reparo que sublinhei o raio do chorrilho todo. E não é para admirar.
I have come here to chew bubble gum and kick ass, and I'm all out of bubble gum!

Occupy Metal.

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Venøm » quarta dez 21, 2011 12:23 am

Contrariar-me? não vejo onde. Mas isso sou eu que sou ignorante demais para o intelecto avançado que vai neste tópico. Na verdade, a minha área de especialização são os números, a modos que muitas vezes quando me tento aventurar no mundo literário o meu teor acaba por se revelar típico de um plebeu. Aproveito e deixo aquele meu ultimo texto da página anterior que há de ser mais esclarecedor para vossas excelências, os velhotes. Com isto encerro o meu caso que embora de férias existe trabalho para fazer que de todo não se conclui com sermões aos peixes.


Pfff, filisteus! :grim:

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Audiokollaps » quarta dez 21, 2011 12:56 am

Isto está é facilitado para os jovens?

- Eu não sei em que planeta é que tu vives.

Durão Barroso: "Desemprego entre os jovens da União Europeia é alarmante"

Em entrevista à TSF, Durão Barroso fez declarações sobre o desemprego na camada jovem, no dia em que a Comissão Europeia anunciou incentivos para que cinco mil jovens encontrem emprego fora do seu país.

“Obviamente a primeira responsabilidade em termos de politica de emprego permanece nos Estados, mas acreditamos que a União Europeia pode contribuir no sentido positivo, trabalhando em parceira com os Estados e com os parceiros sociais precisamos de lidar com as questões sistémicas”, declarou Durão Barros.

“5 Milhões de jovens europeus, o futuro da nossa sociedade, estão agora desempregados e precisam de ajuda. A taxa de jovens que procuram emprego é simplesmente alarmante, atingido cerca de 50% em alguns países”, continuou.

Neste âmbito, a Comissão Europeia apresentou hoje medidas de combate ao desemprego, tais como a disponibilização de fundos para assistência técnica, para ajudar os Estados-Membros a utilizar mais amplamente os fundos disponíveis da UE.


- És contra um local de trabalho efectivo e és contra o pagamento de indemnizações por despedimento.

Se um trabalhador não trabalha, não apresenta resultados, o patrão pode despedi-lo por justa causa.

Segundo a tua lógica, um patrão pode contratar e despedir todo e qualquer trabalhador quando lhe apetecer, sem pagar indemnizações.

Nessa tua lógica, nenhum de nós trabalhadores teria um local de trabalho seguro... nenhum de nós podia pensar em adquirir casa, pois não saberíamos se temos o mesmo posto de trabalho para o ano seguinte... nenhum de nós poderia constituir família, pois hoje trabalhas numa empresa e amanhã terás que ir procurar emprego para outro lado qualquer.


Pior que isso, acreditas na bondade, nos bons princípios, na justiça, no mérito de quem contrata.

Tu, que nunca trabalhaste, certamente não saberás que o mérito e a produtividade são uma treta.

O patrão se pudesse despedia trabalhadores porque o seu empregado tem má cara, não gosta do feitio dele, não gosta de o ouvir falar de politica ou de bola, porque um dia não o cumprimentou... mesmo que ele fosse um bom profissional.


Pelas tuas opiniões expressas aqui, fiquei a saber que o Passos Coelho encarna o teu mais selvagem sonho molhado.

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Cthulhu_Dawn » quarta dez 21, 2011 1:08 am

Venøm Escreveu:Então sou eu que não percebo. Vocês querem continuar com regalias que nem o estado nem os patrões das PME's têm dinheiro para vos pagar? :|

Sortudo é então o gajo que conseguir ser efectivo durante anos numa empresa. Assim é que os efectivos não vão durar muito tempo numa empresa, vai andar o patrão a pensar "bem, é melhor não ter cá este gajo durante muito tempo senão quando um dia o quiser despedir não tenho dinheiro para o fazer...". Volta e meia ser efectivo há de ser algo que dura tanto como um contrato. Ou então quem quiser trabalho em portugal mais vale ser um freelancer.

Neste momento muitos de vocês, eu inclusive têm uma vantagem brutal que os nossos pais, aqueles que estão a sofrer mais com a crise para nos poder ver a aproveitar todas as oportunidades, nunca sonharam sequer ter. Temos uma união europeia que embora num estado decadente nos oferece fronteiras abertas e oportunidades de trabalho que os nossos pais nunca tiveram, e o que vejo é a maioria de vocês a cagar nisso e a exigir a um estado que está a apertar o cinto com dinheiro emprestado que vos continue a pagar todas as regalias e mais algumas, esperam que o estado vos tenha de garantir emprego e demais regalias e ficam muito espantados quando o Primeiro Ministro vem à televisão dizer que emigrar não é uma má ideia. Não é o estado unicamente que tem de garantir tudo e muito menos são unicamente os nossos impostos, há que investir e criar um plano para que o nosso trabalho seja útil ao país.

Emigrar nunca foi uma má ideia e esteja um país em que estado estiver só traz é vantagens para quem resolve ir lá para fora. Já que não se está a conseguir exportar produto , exporta-se massa cinzenta. Já para não falar de que para qualquer europeu trabalhar noutro país são sempre novos horizontes, novas dinâmicas, novas ideias de trabalho, novas experiências etc. E no fundo não é essa a filosofia teórica da UE? Até quando é que vamos deixar de aproveitar essa vantagem de termos as fronteiras abertas? Já não é mais que altura de deixarmos de ser uma união de países virados para dentro e começarmos a trocar dinâmica de trabalho e ideias uns com os outros em vez de andarmos só a cobrar dinheiro emprestado uns aos outros?

O mal disso, dessa emigração são aqueles que vão e não voltam. Mas o ideal é voltar, é fazer um plano a longo prazo e ir procurar onde existe o sítio onde se está a trabalhar mais na nossa área de especialização, e no final trazer essa experiência, dinâmica e conhecimento para aqui para ajudar o país. Isto sim, a longo prazo só trás vantagens em vez das soluções em 2 ou 3 dias que vocês todos aqui querem e querem mas não apresentam soluções nem planos (e dirijo-me a malta da minha geração).


Sinceramente esse é o meu plano neste momento. Quero tirar o meu curso, fazer o meu mestrado e ir procurar trabalho na minha área de especialidade onde ele o há, nem que tenha de ir para a outra ponta do mundo.

O que é mau é que muitos vão e não voltam, como já disse. Eu cá pretendo aproveitar esse tempo que estou lá fora para trazer o que aprendi la fora quando isto tiver melhorzinho.

É que todos dizem que isto está fodido para os jovens, isto está facilitado é para os jovens, os que estão mais fodidos com isto, mas fodidos a sério são os pais desta geração que está a sair das escolas e das universidades que se sacrificam para que não nos falte nada, e nós... ficamos sentadinhos à espera que o estado nos faça cair trabalho na mão e uma reforma bacana com uma casinha na praia.

No fundo aqueles que estão mais prejudicados com esta situação do país são os pais do pessoal da nossa (minha) geração que já não vão a tempo de aproveitar essa vantagem e esses horizontes que temos agora e eles não tinham na altura. São esses os que estão presos a esta vidinha e que vivem na total angústia de estarem presos a um sistema laboral que está em vias de extinção.


Quem te lê, fica com a impressão de que mais ninguém da tua geração tem um plano, tem de facto vontade de trabalhar e, para além de vontade, trabalha efectivamente e trabalham que nem mulas.
Desde as manifs de Março que "os jovens" passaram a ser a nova Função Pública só porque se lembraram de fazer um bocado de barulho e (que abuso!) até há uns que têm Iphones e portáteis.

E sim, realmente o facto de sermos "cidadãos Europeus" dá-nos hoje em dia uma mobilidade que não existia há meia dúzia de anos. Mas e então? Não é como se toda a gente pudesse pegar na mala e ir embora, de um dia para o outro. Parece aquelas noticias que de vez em quando aparecem nos jornais, daquela malta que de repente ficou muito aborrecida com a vida que tinha e "decide ir tirar um MBA em Londres".
Eu, por exemplo, tenho a minha licenciatura, o meu Mestrado e trabalho há 4 anos. Desde há dois anos para cá que recomecei a enviar CVs para fora, porque decidi que não quero constituir uma família neste país. Essa coisa tão portuguesa que é a "saudade" passa-me um bocado ao lado, portanto tendo a possibilidade de sair e arranjar trabalho, é só o tempo de poder vir buscar a minha mulher e beijinhos e abraços.

Espero que sejas bem sucedido com o teu projecto de vida e que consigas chegar onde quer que seja que queres chegar. Mas, por favor, não tentes fazer passar a ideia de "olhem para mim, que eu é que sei como é que se faz". É que nem tu, nem o nosso 1º Ministro (ou o Sec. de Estado umas semanas antes) descobriram propriamente a pólvora...

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Venøm » quarta dez 21, 2011 4:46 am

Obrigado por teres sido das poucas pessoas que se dedicou a ler o que escrevi. E infelizmente ainda nem eu nem ninguém descobrimos a pólvora. Conforme já expliquei o que cada um tem d fazer é o máximo com aquilo que tem. Eu faço e não tenho ipods nem tablets nem um portátil sequer, e não me fazem falta.
O que me irrita é ver certas pessoas convictas d que a culpa d isto estar assim é do primeiro ministro. D que manifs à anos 70 têm algum impacto e que um PM que aconselha a emigrar é quase um atentado, um exílio. É quase visto como o emigrar do tempo do salazar.
Obvio que ha quem não tenha possibilidade de emigrar qnd acabar o curso, mas quem tem só fica a ganhar. O que se passa é que o mercado de trabalho mudou drasticamente nos ultimos 20 anos e estamos todos a tentar adaptar-nos a ele. Nós jovens temos é uma maior flexibilidade e facilidade para entrar nele que é impossivel quase em malta nos seus 30 ou 40 anos que estão aqui presos ao trab que têm. Compreendo mais a angústia dos meus pais em manter o trab que têm do que a angústia que um jovem têm em encontrar novo trabalho. Por essa angústia já passaram os nossos pais e avós.
Agora verdades absolutas não tenho e trabalhos só fiz biscates.
Só me resta dedicar,me ao meu trabalho e daqui a uns anos veremos como estáo as coisas e o quanto mudou a minha opinião. E ai de mim se não mudar.

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor aftermath » quarta dez 21, 2011 5:03 am

Venøm Escreveu:Agora verdades absolutas não tenho e trabalhos só fiz biscates.
Só me resta dedicar,me ao meu trabalho e daqui a uns anos veremos como estáo as coisas e o quanto mudou a minha opinião. E ai de mim se não mudar.


......entonces....

..... STFU, respira fundo e aprende um bocadinho, olha que o titio não é necessariamente a voz da razão.... e boa sorte ... bem vais precisar! Beijinhos
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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Cthulhu_Dawn » quarta dez 21, 2011 8:33 am

Venøm Escreveu:Compreendo mais a angústia dos meus pais em manter o trab que têm do que a angústia que um jovem têm em encontrar novo trabalho. Por essa angústia já passaram os nossos pais e avós.


Pronto. É que, para mim, em termos de angústias, fica um bocado ela por ela ou não? Acho que são compreensíveis as angústias de uns e de outros embora, no meu caso, até possa tender para compreender melhor a da minha (que será também a tua, mais ou menos) geração que procura um trabalho que lhes permita uma realização maior do que aquela que obtêm a fazer biscates (quando os encontram) do que propriamente a de uma geração que, como tu dizes e bem, tem que "manter o trabalho" o que implica (felizmente) já o ter.

Mas enfim, não é uma coisa que escreva com muita convicção, porque começo a entrar por uma lógica de generalizações que, apesar de pode levar a uns textos com piada, não faz muito o meu género.

Venøm Escreveu:Só me resta dedicar,me ao meu trabalho e daqui a uns anos veremos como estáo as coisas e o quanto mudou a minha opinião. E ai de mim se não mudar.


E boa sorte com isso, é só o que posso dizer.

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Indigente » quarta dez 21, 2011 11:00 am

Pareceu-me relevante.

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Nhec » quarta dez 21, 2011 11:05 am

Indigente Escreveu:Pareceu-me relevante.

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A imprimir e fixar ao pé da secretária. Obrigado :)
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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Venøm » quarta dez 21, 2011 12:59 pm

aftermath Escreveu:
Venøm Escreveu:Agora verdades absolutas não tenho e trabalhos só fiz biscates.
Só me resta dedicar,me ao meu trabalho e daqui a uns anos veremos como estáo as coisas e o quanto mudou a minha opinião. E ai de mim se não mudar.


......entonces....

..... STFU, respira fundo e aprende um bocadinho, olha que o titio não é necessariamente a voz da razão.... e boa sorte ... bem vais precisar! Beijinhos

O meu titio não é para aqui chamado, principalmente porque ser patrão não é algo da área de especialidade dele. :mrgreen:

Vocês estão aqui a assumir que eu acho que os efectivos são todos uns malandros e que um patrão é única e simplesmente um gajo que só manda gente para a rua por não produzir. E ainda mais estão a meter-me palavras na boca de coisas que não defendo, como por exemplo, mandar empregados efectivos para a rua sem lhes pagar um tostão. Provavelmente devo-me ter enganado algures ou alguém me deve ter lido na diagonal.

Esta sucessão de posts começou porque quis mostrar também o lado de certos patrões, isto porque andava aqui uma ideia de que: Patrão = Mau que explora os pobres, Trabalhador = Bom que é explorado, quando isso já é um modo de pensar completamente obsoleto e uma generalização bastante injusta, seja ela dizer que são todos bons ou todos maus.

O que aqui estou a fazer é concordar com a medida de reduzir alguns benefícios de despedimento, não é reduzir ordenados, não é despedir sem pagar, nada disso. E não é reduzir ao ponto de que um patrão possa mandar quem lhe bem apetece para a rua assim à papo-seco, é um corte ao ponto de que também não seja impossível a um patrão despedir um funcionário que esteja lá há mais de 10 anos, por exemplo.

No fundo, antes desta conversa ter descambado e de eu estar aqui a bater no ceguinho só estava a mostrar um pouco o lado dos patrões em vez de estar a chamar preguiçosos a todos vocês.

O problema é que eu posso estar errado em muita coisa por falta de experiência, mas não acho que nem um trabalhador deve ser despedido porque o patrão não gosta da cara dele assim como não acho que um patrão deva estar impossibilitado de despedir alguém sob pena de insolvência se o fizer. Fazendo as contas imaginemos que um efectivo ganha aí uns 750€ por mês. Ao fim de 10 anos despedi-lo são uns 20 000€ (mais ou menos) que custam à empresa.

Em muitos casos 20 000€ corresponde a 1 ou 2 meses da produção de uma empresa (e reparem que me estou a focar única e exclusivamente nestes casos). Se calhar, se já fossem 15 000€ ou 10 000€ continuava a ser um golpe severo na empresa, mas talvez não impossibilitasse esse despedimento e não pusesse a empresa em maus lençóis prejudicando o resto dos trabalhadores. (E mesmo assim duvido que alguém vá despedir um trabalhador por 10 000€ só porque não gosta da cara dele). O que acho mau realmente é que isto são más notícias para quem trabalha em grandes empresas, já nas pequenas e em dificuldades é outra história, se calhar até vai levar alguns patrões a contratar mais pessoal porque têm menos a perder se não gostarem d X ou Y gajo a longo prazo.

Não é que o Pedro Passos Coelho seja agora o meu herói, eu tenho pena é do homem ou de qualquer outro gajo que lá estivesse agora, mas também não acho que o aconselhamento à Emigração e que este corte seja motivo para ser encarado como se voltássemos de repente à era industrial em que o patrão era aquele gajo explorador e que o emigrar de hoje é quase o emigrar para França no tempo do Salazar. É esse pensamento ao qual me oponho e que ainda faz com que o nosso país seja muito fechado em termos de produtividade. A nível agrícola por exemplo não conseguimos que o nosso produto seja competitivo no mercado porque em muitos casos ainda se fazem as coisas à moda antiga, temos o exemplo do vinho do Porto que neste momento é explorado por estrangeiros. E o que isso nos ensina é que cá em Portugal não há mão de obra qualificada capaz gerir uma empresa desse calibre de acordo com as exigências do mercado, ainda se trabalha à moda antiga em vez de ir lá fora procurar novas maneiras de trabalhar e traze-las para cá.
Obviamente que se também vamos todos emigrar após o nosso percurso académico para nunca mais voltar, ficamos sem mão de obra qualificada no país e à mesma a ter empresas que nunca saem do mesmo sítio. Vamos continuar a ver esses tais patrões sem qualificações a empregar jovens qualificados de qualquer jeito e feitio... recibos verdes... contratos... e aí sim vamos ao encontro de muitos dos problemas de que todos nos queixamos.

Também não podíamos só esperar cortes na função pública e segundo, em que estado esteja um país, emigrar, conseguir sucesso e trazer de lá de fora algo (uma empresa, por exemplo) com um tipo de gestão qualificada e que dê emprego a malta qualificada a longo prazo nunca é má ideia. Não é a pólvora, mas para quem consegue ser uma boa ideia.

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor José Sousa » quinta dez 22, 2011 2:06 pm

:metal:


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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor MeBathory » quinta dez 22, 2011 2:50 pm

aftermath Escreveu:
Venøm Escreveu:Agora verdades absolutas não tenho e trabalhos só fiz biscates.
Só me resta dedicar,me ao meu trabalho e daqui a uns anos veremos como estáo as coisas e o quanto mudou a minha opinião. E ai de mim se não mudar.


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Man, és tão engraçado quando te zangas lol


Venom,
bilubilu gugudada.... cresce filho! :wink:
Awaiting the exorcist....

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Grimner » quinta dez 22, 2011 5:39 pm

E continuemos a saudar os nossos banqueiros overlords:

Ex-presidente do Lehman Brothers Espanha assume ministério da Economia


Mariano Rajoy nomeou, nesta quarta-feira, Luis de Guindos, ex-presidente do banco Lehman Brothers na Espanha e Portugal, como o novo ministro espanhol da Economiada
REUTERS/Susana Vera
Luiza Duarte
O novo primeiro-ministro espanhol, o conservador Mariano Rajoy, anunciou os 13 membros de seu gabinete, dentre eles o esperado nome do próximo ministro da Economia, Luis de Guindos, ex-presidente do banco Lehman Brothers, na Espanha e Portugal, entre 2006 e 2008. Rajoy assumiu suas funções oficialmente nessa quarta-feira, depois de prestar juramento ao Rei da Espanha, Juan Carlos.
Guindos será responsável por aplicar o programa econômico anunciado pelo primeiro-ministro, no início da semana. O plano de austeridade e as reformas vão permitir o corte de 16,5 bilhões de euros das despesas públicas da Espanha.

A quarta economia da zona do euro foi fortemente atingida pela crise das dívidas, que assola as economias dentro da união monetária, e pode enfrentar uma recessão, ainda no início de 2012. Tendo a economia como preocupação central de seu governo, Rajoy quer tranquilizar o mercado financeiro e vai realizar uma reforma de seu setor bancário.

O Conselho de Ministro deve começar a aprovar as novas medidas a partir do dia 30 de dezembro. No entanto, o objetivo de reduzir o déficit público a 6% do Produto Interno Bruto, PIB, em 2011, não deve ser alcançado. Em 2010, o número atingiu os 9,3% do PIB espanhol.


http://www.portugues.rfi.fr/europa/2011 ... a-economia
Eu já vi o raxx num papo seco
Hordes of Yore webpage

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Audiokollaps » quinta dez 22, 2011 6:24 pm

A democracia foi esmagada pela elite financeira mundial.

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor UtopiaIsBanished » quinta dez 22, 2011 6:56 pm

Nós não vivemos propriamente numa democracia. E não acho exagerado dizer isto.
Como referi uns posts atrás, a designação mais apropriada ao nosso sistema seria Plutocracia. Vejamos diversas definições:

"predomínio da classe abastada, detentora dos meios de produção, circulação e distribuição de riquezas, sobre a massa proletária, mediante um sistema político e jurídico que assegura àquela classe o controle social e econômico"

"A plutocracia (do grego ploutos: riqueza; kratos: poder) é um sistema político no qual o poder é exercido pelo grupo mais rico. Do ponto de vista social, esta concentração de poder nas mãos de uma classe é acompanhada de uma grande desigualdade e de uma pequena mobilidade."

"Plutocracia (ploutos: riqueza; kratos: poder) seria, em tese, um sistema político governado por um grupo de pessoas que detém o poder econômico. No entanto, a plutocracia é um conceito, uma vez que esse tipo de poder nunca foi institucionalizado declaradamente.
O que acontece é que muitos agentes políticos são apoiados por grupos de pessoas que, na maioria das vezes, são detentoras do poder econômico. Em alguns casos, esses governantes atuam somente em função desses grupos, revelando um dos traços da plutocracia. Dessa forma, podemos afirmar que a mesma mais é uma situação dentro de uma esfera política do que um sistema propriamente dito."


"Uma plutocracia(do grego πλουτοκρατία, ploutos 'riqueza' e kratos 'governo') é um sistema de governo em que o poder está nas mãos de quem possui as fontes de riqueza.

Pode-se inclui-la como um tipo de oligarquia na sua visão clássica promovida pelas experiências em algumas cidades gregas e cidades-estado da Itália medieval(Génova, Veneza e Florença). Não podemos confundir a plutocracia com sistemas onde o exercício da cidadania está vinculado a uma riqueza mínima, correspondendo de facto a um suposto interesse colectivo, por exemplo, os sufrágios censitários que exigem uma contribuição mínima para as finanças públicas(censo). Estes sistemas não são plutocráticos, porque as contribuições não passam a fomentar um partido.

Para que a plutocracia seja material a representação é possível que corresponda, embora não de maneira exclusiva, com o velho modelo de representção de origem iusprivatista:
A representação atende únicamente aqueles que o apoiaram , não atendendo ao mandato da vontade geral.
Existe a possibilidade de que o mandatário seja revogado em qualquer momento por vontade dos seus mandantes.
Existe a responsabilidade do mandatário perante aqueles que o apoiaram , com a obrigação de pagar contas da sua gestão
O carácter limitado e explícito dos poderes de que dispõe o mandatário estão sujeitos ás instruções vinculdadas pelos seus mandantes.
Trata-se pois de um tipo de mandato imperativo e vinculante que estabelece uma ligação imediata entre mandante e mandatário. Esta estrutura só aparece em sistemas de governo nos quais aqueles que possuem o poder político e legislativo mandam no poder económico.

O elevado custo das campanhas políticas nas democracias sempre tem suposto uma barreira de entrada no poder, uma forma de plutocracia controladada por uma escassa minoria dos votantes. Na democracia ateniense, alguns cargos públicos eram assignados de forma aleatória aos cidadãos para inibir os efeitos da plutocracia. Entre 133 A.C. e 123 A.C. os gregos protagonizaram uma brutal revolução contra a plutocracia de Roma. A democracia moderna pode ser também vista como uma farsa desonesta empregada para evitar a agitação das massas contra os abusos de poder como assédio da dita agitação em benefício próprio. Pode-se com esta maneira de actuar levar os candidatos a realizar clientelismo político, por exemplo , ofereçendo leis favoráveis no caso de serem eleitos.

O controlo dos meios de comunicação por parte de uns poucos pode levar a uma distorção mais específica do processo eleitoral, de modo que os mídia são um elemento vital numa eleições. Certos grupos sustentam que a crítica á situação do momento ou a uma agenda concreta tende a a ser ocultada através de grupos mediáticos para assim proteger os seus próprios interesses. Argumenta-se também que a cobertura mediática nas democracias simplesmente reflecte as preferências do público, e não a qualquer acto de censura deliberado.

Marxistas, socialistas e anarquistas sustentam que as democracias liberais são parte integrante do sistema capitalista, e que tem como baseiam na divisão em classes sociais e que não são plenamente democráticas ou participativas. è uma democracia burguesa onde só os mais poderosos mandam. A causa disto é vista como um sistema desigual que funciona de modo que facilita a exploração económica. Pelo lado contrário, Vilfredo Pareto vê a plutocracia dominante como não sendo tanto o governo dos homens de negócios como o governo dos políticos exploradores que apelam ao poder público para seu benefício pessoal. Se a minoria dominante na realidade é um conjunto de grupos cujos interesses por momentos divergem, a competência política pode em certas circunstâncias induzir os líderes a procurar o apoio da maioria promovendo os interesses desta."


Este governo só está a tentar enquadrar-se melhor nestas definições. A diferença em relação a outros é que este já perdeu a vergonha.
Imagem "É preferível morrer de pé do que viver ajoelhado!"


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