Política - Discussão ou algo do género.

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Old_Skull » quinta abr 12, 2012 6:36 pm

Venøm Escreveu:"Políticos portugueses «não servem para nada»"



Com ou sem licenciatura (mesmo as concluídas ao Domingo)! 8)

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Venøm
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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Venøm » quinta abr 12, 2012 10:19 pm

Bem, isso também é uma grande verdade! hehehe :cheers:

Mas lá está. Um exemplo do artigo que postei: ter licenciatura no mundo da política é irrelevante. Apenas a cereja de "Sr Doutor" no topo do bolo.

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Vooder » quinta abr 12, 2012 10:27 pm

Por acaso pensei que com o rebanho de licenciados (principalmente desde que há bolonha) esse dr. iria desaparecer, já que cada vez é mais comum.
As licenciaturas de bolonha valem zero. mas pronto o sr. dr. está lá é o que interessa
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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor otnemeM » quinta abr 12, 2012 10:35 pm

JVELHAGUARDA Escreveu:“O programa da Parque Escolar foi uma festa para as escolas, para os alunos, para a arquitectura, para a engenharia, para o emprego e para a economia” - Maria de Lurdes Rodrigues
:roll: No fim da festa, alguém tem de pagar a conta... :?

E continuam a ser uma festa para as Escolas que agora estão todas a pagar renda por algo que já lá antes existia e lhes pertencia.
Negócio do século. Ainda bem que as pessoas se estão a rebelar, mas entre tarde e nunca a diferença já vai ser pouca.

Aguardo pacientemente pela revolta que se seguirá a mais uma descoberta com 3+ anos de idade pela nova geração de e-activistas, principalmente agora que a febre do Kony já passou e ser vegan já não dá nas vistas.
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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Venøm » quinta abr 12, 2012 11:13 pm

Vooder Escreveu:Por acaso pensei que com o rebanho de licenciados (principalmente desde que há bolonha) esse dr. iria desaparecer, já que cada vez é mais comum.
As licenciaturas de bolonha valem zero. mas pronto o sr. dr. está lá é o que interessa

Tu vives num país de Sr's Doutores, onde é super importante ser um Senhor Doutor com 500 mestrados e 1000 doutoramentos, todos eles com uma utilidade equivalente a papel de limpar o cu e 90% dos donos desses mestrados e doutoramentos, essa massa amorfa, que anda tão bem para a frente como uma mula com uma cenoura a frente dos olhos pendurada num pau, não é capaz de fazer mais nada do que trabalho de funcionário sem iniciativa nem autonomia.

E ainda querem um ensino secundário mais facilitado e com menos chumbos por parte dos professores e mais facil acesso ao ensino superior com ausencia total de propinas. Assim alimenta-se mais o estigma. Não admira os rebanhos de inuteis que põem os pés na faculdade.

Verdade seja dita, um aluno universitário nos EUA paga e mata-se para pagar do bolso dele este mundo e o outro para lá estar e tem um nível e aproveitamento dos recursos que lá lhe dão mil vezes superior que qualquer aluno comum universitário português.

Não tenho dúvidas.

Por acaso podem agradecer ao senhor Cavaco Silva por esse estigma pateta dos Sr's Doutores em Portugal. Senhor que em tempos foi todo "toda a gente tem de ter um canudo". E não só, podem agradecer também aos papás e mamãs portuguesas que desde cedinho impingem aos meninos "tens de ter um canudo para seres alguém". Em tempos longínquos já foi assim, receio eu..

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor OrDoS » sexta abr 13, 2012 10:54 am

Venøm Escreveu:Verdade seja dita, um aluno universitário nos EUA paga e mata-se para pagar do bolso dele este mundo e o outro para lá estar e tem um nível e aproveitamento dos recursos que lá lhe dão mil vezes superior que qualquer aluno comum universitário português.

Não tenho dúvidas.


Depende dos cursos. Não é à toa que temos bastantes investigadores Portugueses no topo da cadeia, não é à toa que temos muitas pessoas em cargos de topo em grandes empresas europeias e americanas, muitos outros pelo mundo todo (principalmente na área de TI, que é a área que domino), ensinados nas nossas Universidades.

O que dizes é uma falácia e devias colocar bastantes dúvidas naquilo que disseste.
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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Riddl3 » sexta abr 13, 2012 11:30 am

temos um ensino (no geral, basico, secundário, superior, técnico-profissional) muito mal organizado.
se facto é que tens muitos crânios "tugas" espalhados pelo mundo fora, maior parte deles formados em faculdades PÚBLICAS, onde se exige muito dos alunos tanto para entrar como para concluirem o devido curso, facto é, também, que tens muito "doutor" formado nas privadas que... são o que são e valem o que valem. um dos grandes problemas é não haver uma devida regularização e "standartização" do nível/qualidade do ensino entre público e privado. Porque, não vejo lógica nenhuma em, eu que não tenho posses economicas, tenho que ter uma média de 16 (por ex.) para entrar num curso de ciencias farmaceuticas no publico, mas o menino ali ao lado que tem mais posses entra no MESMO referido curso com uma média de 12. atenção, não quero com isto dizer que TODAS as facs/instituições de ensino privadas sejam uma m*rda, seria hipócrita da minha parte tendo em conta que fiz a minha formação musical numa academia que apesar de ser considerada uma das melhores a nível europeu... não deixa de ser uma academia privada. refiro-me aos piagets, aos academicos, ribadouros, institutos não sei dos quantos, e afins onde, quer se queira, quer não, as notas são oferecidas consoante cara e tamanhos de carteira. exemplo: conheço um caso de uma personagem que no secundário (público) não tirava uma positiva a biologia, passou para o académico e de repente... puff, sai de lá com um 16. e casos como estes existem por aí aos milhares, eu conheço mais uns quantos e voçes certamente conhecerão MUITOS mais. mas isto será apenas uma curta amostra de toda a podridão que vai no nosso sistema de ensino e que, mais tarde, quer se queira quer não, se refllete na sociedade, não fosse a educação a base da mesma. porque, sejamos francos, como podem esperar que um menino habituado desde o secundário a facilitismos seja capaz de entrar num mercado de trabalho exigente? não é.. porque não foi habituado desde tenra idade a esforçar-se para atingir objectivos. portanto, o texto acima acaba por ser uma face de dois gumes. de facto há muito doutor da treta, mal preparado e sem capacidade para entrar no mercado de trabalho, mas também à exepções à regra. acho que também há que ter em conta o aumento do número de entradas para o ensino privado nos ultimos 10/5 anos.
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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor otnemeM » sexta abr 13, 2012 12:11 pm

Tu não tens de ter uma média de X, acontece é que há um certo número de vagas que são preenchidas por pessoas com médias ABC até a última vaga ser preenchida por um fulano que tem a tal média X. Nas privadas acontece o mesmo, também entram por ordem de média.

Um problema grave na minha opinião e que pensei que fosses mencionar é a diferença de currículo em cursos iguais ao ponto da transferência de uma pública para outra pública poder não ter totalidade de equivalências, ou de um licenciado ter tido no Porto uma cadeira que o de Aveiro não teve, etc.
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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Riddl3 » sexta abr 13, 2012 12:30 pm

otnemeM Escreveu:Tu não tens de ter uma média de X, acontece é que há um certo número de vagas que são preenchidas por pessoas com médias ABC até a última vaga ser preenchida por um fulano que tem a tal média X. Nas privadas acontece o mesmo, também entram por ordem de média.

Um problema grave na minha opinião e que pensei que fosses mencionar é a diferença de currículo em cursos iguais ao ponto da transferência de uma pública para outra pública poder não ter totalidade de equivalências, ou de um licenciado ter tido no Porto uma cadeira que o de Aveiro não teve, etc.



isso também. é dificil abordar TODOS os problemas no ensino portugues... (in)felizmente são poucos (not)
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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Venøm » sexta abr 13, 2012 2:07 pm

É que é mesmo, Riddle.
O ensino Português é um bixo de 7 cabeças cheio de nós da treta. Após o 25 de Abril veio-se a criar uma desde esses tempos uma cada vez mais acentuada rede de facilitismo no sector da educação. Extinguiram-se as escolas industriais porque idiotamente lançavam o estigma do ensino "para os pobres e para os ricos", então criou-se um ensino uniformizado super facilitado. Não digo que não seja uma ideia nobre, porque de facto é de valor termos um ensino disponivel para todos, não acho correcto é terem assassinado a variedade de ensino bem estruturado que se tinha em nome disso apenas por estar associado a esse tipo de estigma.

O nosso actual ministro da educação já propôs colocar de novo exames na 4ª classe, aos quais estou completamente de acordo, e já veio uma professora iluminada dizer que isso era um atentado ao bem estar dos meninos (que neste país têm tudo o que querem e que os paizinhos dão para não terem muitas chatices). O que podemos concluir daqui à partida. Que o sistema de educação e a injecção de sentido de responsabilidade nas crianças falha desde muito cedo. Tens uma massa amorfa nas escolas secundárias e um estigma relativamente aos cursos profissionais de "cursos de 2ª categoria". Os cursos profissionais a meu ver até são, em termos de educação bem superiores ao ensino secundário geral se lhes pusessem matemáticas e físicas a sério em vez da anedótica matemática B ou Z ou lá o que é e o ensino em modulos e pacotes.

Depois claro está, gente que entra aos magotes nas faculdades e universidades que não faz puta de ideia do que quer. Cursos de electrotecnia e engenharia inundados de inuteis que pensam que ali estão e no final aparece um gancho do céu para os vir depositar numa empresa super fixe com um ordenado super fixe. E o que é mais engraçado é que é aquilo que nos dizem quando chegamos ao curso pela primeira vez.

E depois lá está, tens um nó do caralho nestas areas de sectores de mão de obra especializado: Por um lado tens Sr's Doutores Engenheiros em altos cargos que são os maiores inuteis do mundo e não fazem puta de ideia nem de como se calcula uma área dum circulo. E depois tens tipos que nem acabam os cursos que são uns filhas da puta duns crânios e matam-se a trabalhar e o máximo que conseguem é um trabalho da área deles onde são explorados e vêm o seu trabalho a ser sugado por um Senhor Doutor que tira crédito dele.

Tens também tipos que estão lá nas faculdades, por exemplo no meu curso, que já têm propostas de trabalho bacanas para o curriculo, mas não aceitam porque "não é um trabalho digno do seu intelecto e área".

A ideia de "eu sou licenciado, sou elite" prevalece e grande parte das pessoas em Portugal ainda não se apercebeu que isso não funciona assim. A ideia de ter um curso para ser alguém é patética desse ponto de vista, digamos em vez disso "é preciso ter um curso para "ter hipotese de" ser alguém" e aí as coisas já se aproximam da realidade. As pessoas não têm planos, não fazem planos e esperam que a motivação caia do céu em vez de irem experimentar para perceberem como as coisas funcionam.

E lá está, depois ainda tens outro grupo de licenciados. Aqueles que escolhem cursos do arco da velha porque "até e giro e curto bue de história/sociologia e decidi guiar-me pelo poder dos sonhos". E aí está uma grande massa amorfa de canudos inuteis que não olham para esses cursos ou para o mercado de trabalho com objectivos concretos. Por acaso são alguns destes tipos incompetentes e amorfos com canudos que só por estarem ligados a partidos estão a gerir o vosso dinheirinho e a estabelecer a sua soberania política a vossa custa em empresas públicas (seg Social, finanças, etc etc).

E depois tens uma pequena massa autónoma, vou dar um exemplo de uma conhecida minha que se meteu em arqueologia (e nem é uma menina de muitas posses), que enquanto os outros acabam esse curso porque é giro, ela atingiu um nível de excelência tal nos objectivos que traçou e agora está toda feliz e contente lá fora em escavações. Pode ser até que o ordenado não seja muito grande ou que esse tipo de trabalho não dure muito, não interessa, realizou-se, pegou na malinha e fez-se à vida, e cada vez mais é desse tipo de licenciados que o mercado de trabalho procura. Qualquer patrão aí fora prefere trabalhar com um tipo que mete a mão a massa do que com uma enciclopédia que só se move como uma mula com uma cenoura à frente.

Outro exemplo. Conheci um Senhor no comboio que tinha tirado um curso de electromecânica (ou metalomecânica, já não me lembro bem), um curso espectacular e com saída na altura. O primeiro trabalho que arranjou era um trabalho numa empresa de electromecânica mas no sector de vendas, ou seja, não é aquilo que ele quis. O que aconteceu foi que ele se conformou e subiu lá dentro, e entretanto chegou a um patamar onde recebe 4000€. Bom ordenado, deixou-se ficar. Estava-se era a queixar que não se sentia realizado, porque tinha ficado gordo porque o trabalho dele não envolvia estar em contacto com as máquinas e obras de que tanto gostava, era um trabalho de secretária. No entanto tinha possibilidade, com o seu curriculo de mudar para um trabalho mais ligado à area dele, mas lá está, iria receber menos: 2500€/3000€. Isto para uma mente jovem talvez apeteça dizer "então porque é que não toma essa decisão?", que por acaso foi o que lhe perguntei. E o senhor disse: Olha, porque me casei, tenho casa, filhos, mulher e tenho de pensar neles, da maneira que as coisas estão". E aí compreendi perfeitamente no dilema em que o homem se encontrava.

Era bom que as coisas fossem lineares, que funcionassem também como aquele tipo de Braga que dá aqueles discursos super motivadores, mas infelizmente não é. Também há quem diga que formar uma empresa e trabalhar por conta própria é uma boa maneira e alternativa para não ser explorado, de ter um ordenado decente. O problema é que como as coisas estão é um risco do caralho. E empresas não tendem muito a nascer em climas económicos instáveis.

O meu familiar de que tenho falado aqui (não me vou adiantar sobre quem é porque quero respeitar a confidencialidade do senhor em questão) não conseguiu acabar de tirar o curso por motivos políticos. Teve o "azar" de estar no 3º ano de construção civil quando se deu o 25 de Abril que de tanta coisa boa que trouxe ao país a longo prazo também levou muita gente de arrastão dadas as mentes fundamentalistas revolucionarias que também se formaram. E pronto, politiquices para aqui, professores para a rua ali, gente a meter-se no Partido Comunista e magicamente apareciam licenciados enquanto afastavam professores competentes que tentavam impor-se a essa corrupção e eram rotulados de fascistas, e o senhor em questão não teve possibilidade de acabar o curso. Veio para aqui para Setubal, fiscal de obra e dava altos bigodes aos Senhores Doutores engenheiros e ao mesmo tempo era explorado, não subia, não podia. As empresas tinham um plafon e só quem tinha curso tinha direito à grande fatia do bolo.
Teve a sorte na altura de se juntar com outras pessoas e formar uma pequena empresa de construção civil e enquanto as coisas andavam estáveis, digamos que a vidinha foi boa. Agora ele diz-me "Tu nunca montes uma empresa neste país, realiza-te, tira o teu curso e pira-te daqui". Talvez um pouco radical, mas também compreensível.


Não vou estar aqui a dizer que isto são leis universais porque não é assim tão linear e não sou nenhum conhecedor experiente do mercado de trabalho. Corrijam-me se estiver a dizer asneiras, porque é bem provavel que esteja a largar algumas, mas sinceramente há nalgumas massas de pessoas determinados padrões de comportamento que são a sua própria ruína, e como as coisas estão também é compreensível a apreensão geral em ir em frente com ideias e projectos.

Mas que o ensino neste país é uma das nossas maiores ruínas e vergonhas e um valente ramo no cancro na nossa sociedade, disso não tenho dúvidas.

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Riddl3 » sexta abr 13, 2012 2:42 pm

Venom um exemplo:

Desde sempre tive a perfeita consciencia de que seguir música (ou qualquer tipo de arte) por terras Lusas, por muito bom que seja... é sempre complicado. Então lembrei-me que seria porreiro tirar um 12º profissional, até pq tinha q fazer um 12º qualquer e tinha, visto precisar do exame de portugues com nota superior a 9.5 para me candidatar à escola superior de música. Entrei para o curso profissional de informática, pq sempre gostei de computadores e informática. Primeira impressão q tive do curso foi muito má, pq, apanhei ano de re-estruturação de curso. Quando ouvi falar disso, motivou-me mais pq, por exemplo Linux ia começar a fazer parte do programa. Mas, infelizmente, o resultado final foi: chegarmos às aulas e, em setembro/outubro os profs ainda andavam a fazer acções de formação por causa do novo programa. A mim valeu-me o facto de antes de entrar para o curso já trabalhar com Linux à uns bons anos, mas é frustrante saberes q vais ser ensinado por uma prof q, n por culpa sua, ficou tipo barata tonta quando uma vez o ambiente gráfico do PC dela foi abaixo e ela n sabia um comando tão simples quanto "startx", entre outras situações. Ou seja, cheguei a meio do 2º período e desisti de um curso com média de 18.4, pq, infelizmente o ensino está muito mal estruturado.
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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Venøm » sexta abr 13, 2012 3:07 pm

Eu estou em electrotecnia e também não foi facil habituar-me ao ensino superior. Digamos que entrei com media de 14, cheio de sonhos, que vou passar a tudo. Primeiro semestre só passei a analise 1 e desenho, 2º analise 2 e algebra, o resto, ui, não sabia para onde me virar. Tive dúvidas, andei a bulha com os meus pais a fazer asneiras porque queria desistir, no ano passado caguei na faculdade a meio do semestre, desmotivei por completo. Meti na cabeça que "agora a minha cena é mecanica, é carros, é motores, electricidade" e queria meter-me na Atec. Estava farto de aturar colegas e profes atrasados mentais, e achava que só nos dificultavam a vida na faculdade, que era tudo teorico, não havia nada prático. Fui para a Atec ia tirar um curso razoavel de electromecanica, os meus cotas metiam as mãos a cabeça, até vieram os meus avós ao barulho. Foi uma coisa gira de se ver.

Adiante, chego lá para me inscrever e a mulher diz-me: "você para entrar aqui tem de cortar laços com a universidade, os cursos são grátis portanto precisamos de ter uma garantia da sua parte que se vai dedicar a isto a 100%". Pá, e repara que eu nesta altura andava completamente a deriva sem propósito, queria adiar a fac. Mas depois pensei, quer dizer, andei até ao 12º ano a fazer media para entrar na faculdade, estou numa faculdade que me oferece um porradão de oportunidades e pos graduação em mecânica, já para não falar em pequenos empregos por todo o lado para malta que ainda não acabou e quer fazer uns biscates para construir curriculo, e vou abdicar disso, vou fugir das minhas responsabilidades e daquilo porque lutei porque é fodido, é dificil e é um nivel de trabalho e empenho ao qual não estou habituado. Um gajo para ser alguém não tem obrigatoriamente que ter um curso é verdade, há casos de pessoas que pouco precisaram do curso para ter sucesso, mas é essencial, não se caia na asneira de pensar o contrário. Mas tens de te matar, de te esfolar, de ir a luta e arriscar.

Agora decidi ganhar juizinho e estou de volta ao curso, a apanhar os cacos das asneiras que andei a fazer. Olha, custou-me 2 anos essa aventura, mas andei a fazer as asneiras que precisei (e sorte a minha ter tido o privilegio de as ter podido fazer).

Se faço ideia do que vou ser? Nope. Mas se não seguir o que gosto, se não experimentar, como hei de saber?

Um curso não é a tua área. Não é aquilo que te vai por a trabalhar, é uma ferramenta de conhecimento com credibilidade. É a tua rampa de lançamento para construires tu a tua área. a tua area é aquilo que tu ambicionas para ti com os conhecimentos que tens e que muitas vezes só te surge quando já te meteste no mercado de trabalho. Esse meu familiar de certeza que não sonhava sequer montar uma empresa e no entanto, olha fe-la. As coisas ficaram feias, mas olha. Fez a área dele, não teve sorte mas mexeu-se na altura. E certamente por aqui pelo forum e por portugal fora há muitos exemplos assim.

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Audiokollaps » sexta abr 13, 2012 3:37 pm

Venøm Escreveu: Após o 25 de Abril veio-se a criar uma desde esses tempos uma cada vez mais acentuada rede de facilitismo no sector da educação. Extinguiram-se as escolas industriais porque idiotamente lançavam o estigma do ensino "para os pobres e para os ricos", então criou-se um ensino uniformizado super facilitado. Não digo que não seja uma ideia nobre, porque de facto é de valor termos um ensino disponivel para todos, não acho correcto é terem assassinado a variedade de ensino bem estruturado que se tinha em nome disso apenas por estar associado a esse tipo de estigma.


Só sai merda desse teclado.

Antes do 25 de Abril o ensino português estava ao nível dos países de 3º mundo.

Uma minoria rica tinha acesso ao ensino superior, mas tinhamos o pais europeu com maior número de iletrados e sem qualquer formação.

Elogiar o sistema de ensino pré-25 de abril é de uma ignorância tamanha....

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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor otnemeM » sexta abr 13, 2012 4:33 pm

Audiokollaps Escreveu:Uma minoria rica tinha acesso ao ensino superior, mas tinhamos o pais europeu com maior número de iletrados e sem qualquer formação.

Não fazes nenhum favor ao teu argumento estragando-o com mentira/exagero. Não tenho conta para o número de pessoas que conheço pessoalmente que concluíram o ensino superior antes do 25 de Abril cujos pais eram agricultores ou semelhante, basicamente tendo pouco mais do que pão na mesa e onde cair mortos, e nas mais diversas áreas.
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Re: Política - Discussão ou algo do género.

Mensagempor Audiokollaps » sexta abr 13, 2012 5:13 pm

A única conclusão a retirar da publicação do INE é que, há 50 anos, os portugueses viviam na idade das trevas. "O que me salta aos olhos é que o sistema educativo antes do 25 de Abril era realmente mau, porque 99% da população estava excluída da escola", desabafa Paulo Feytor Pinto, presidente da Associação de Professores de Português.


1.1.0 - TAXA REAL DE ESCOLARIZAÇÃO, SEGUNDO O NÍVEL DE EDUCAÇÃO/ENSINO, POR ANO LECTIVO (%)

1961 - Ensino Secundário - 1,3%
1974 - Ensino Secundário - 4,9%
2007 - Ensino Secundário - 60.0%

Alunos matriculados

1961 - Ensino Secundário - 13 116
1974 - Ensino secundário - 43 653
2007 - Ensino Secundário - 356 711


Todas as estatisticas aqui: http://estatisticasenumeros.economiafinancas.com/2010/01/21/estatisticas-da-educacao-em-portugal-1961-a-2008/


Não brinquem com coisas sérias.

Essa treta de passar uma imagem cor-de-rosa de uma ditadura mete-me um nojo....


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